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A suave melancolia dos Proper Ornaments

Texto: NUNO GALOPIM

O segundo álbum dos ingleses The Proper Ornaments mantém firme um gosto por heranças dos sessentas mas deixa de lado a intensidade dos ritmos para nos propor um magnífico ciclo de canções, daquelas que se escutam em manhã de inverno, debaixo da mantinha…

Sejam factos ou ficções (ou “factos alternativos” como agora se diz nesta era da “pós-verdade”), os Proper Ornamente têm boas histórias na sua biografia. Como aquela que relata como James Hoare (com carreira igualmente feita via Ultimate Painting e Veronica Falls) e Max Oscarnold (cuja obra passa pelos Toy e Pink Flames) se conheceram. Conta-se que o segundo terá distraído quem olhava pela loja enquanto a namorada do primeiro roubava uns sapatos. Mais recente é a história de como as primeiras gravações para (este) seu segundo álbum tiveram de ir parar ao caixote do lixo porque, só depois das sessões registadas, repararam que o gravador tinha uma avaria. A verdade é que, agora acompanhados por Robert Syme (bateria) e Daniel Nellis (baixo), que integravam a banda que os acompanhava em palco, os Proper Ornamenrts acabaram a gravar este seu segundo disco no estúdio em casa de James Horare, dessas sessões nascendo um conjunto de canções que faz deste uma delicada e saborosa delícia de suave guitar pop com aromas vintage.

Não é difícil reconhecermos entre as heranças que aqui confluem memórias de discos de nomes como os Beatles, Pink Floyd (de inícios dos setentas) ou, como eles mesmos confessam, os Durutti Column. Há ecos do psicadelismo dos sessentas e, mais ainda, uma luminosidade solarenga mas que, em canções que nunca apostam no viço dos ritmos (ao invés do que sucedia no seu álbum de estreia), parece coisa para uma manhã calma com sol de inverno. Que ilumina mas pede o aconchego.

Uma tranquila melancolia cruza canções pelas quais passam histórias de arrependimentos e de perdas (nada novo ali, é verdade). Guitarras dedilhadas com tranquilidade, harmonias que recordam bandas de finais dos sessentas e um gosto em trazer o velho para um tempo novo fazem deste disco mais um capítulo numa história de recorrentes reencontros da canção pop/rock inglesa com travo “independente” por marcas de um ilustre cancioneiro de referência, tal como em tempo o fizeram uns House of Love ou The La’s (mas aqui sem nunca parecer querer sair debaixo da mantinha).

O álbum “Foxhole”, dos Proper Ornaments é editado pela ???? nos formatos de LP, CD e está disponível em plataformas digitais. ★★★★

Podem ouvir aqui o disco, via Bandcamp.

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