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Emmanuelle Riva (1927-2017)

Texto: NUNO GALOPIM

Aos 89 deixou-nos uma atriz francesa que ganhou visibilidade mundial através do cinema de autores como Alain Resnais ou Michael Haneke mas que nunca deixou de trabalhar regularmente nos palcos do teatro.

Da jovem que vive um romance com um arquiteto japonês em Hiroxima Mon Amour (1961) de Alain Resnais à mulher idosa que Michael Haneke nos mostrou em Amour (2012) a atriz francesa criou uma série de personagens que ganharam espaço de referência e reconhecimento na história do cinema. Fez também teatro, publicou vários livros e, conseguindo afastar a sua vida privada dos espaços de atenção mediática, é figura que hoje recordamos precisamente através do que o seu trabalho nos mostrou ao longo de mais de meio século. Morreu ontem, em Paris, aos 89 anos, vítima de um cancro.

Nascida a 24 de fereveiro de 1927 em Cheniménil (França), de seu nome real Paulette Germaine Riva, começou a sua relação com os palcos ao participar em peças no teatro local ao mesmo tempo que ia ganhando a vida a trabalhar, tal como a mãe, como costureira. Contra a vontade dos pais mudou-se para Paris em 1953 para tentar uma vida profissional como atriz, estreando-se no ano seguinte num palco da capital e conseguindo, em 1959, a sua estreia no cinema. Dois anos depois o papel protagonista em Hiroxima Meu Amor, de Resnais (com argumento de Marguerite Duras), deu-lhe enorme visibilidade, aclamação crítica e nomeações para prémios internacionais. Durante a rodagem do filme, em Hiroxima, fez fotografias que depois publicou num livro, que na edição francesa se apresentou como Tu n’as rien vu à Hiroshima. O grosso da sua obra publicada corresponde contudo a livros de poesia.


“Hiroxima Meu Amor” (1959)

“Kapò” (1959)

“Thérèse Desqueyroux” (1962)

A sua filmografia inclui depois a presença em filmes como Kapò (1959) de Gillo Pontecorvo, Thérèse Desqueyroux (de 1962, filme que lhe deu um prémio de interpretação em Veneza) de Georges Franju ou Les risques du métier (1967) de André Cayatte, onde contracena com Jacques Brel. Mais recentes, e com grande visibilidade, participou em filmes como Azul (1993) de Krzysztof Kieslowski e O Verão do Skylab (2011) de Julie Delpy, além, claro está, do papel em Amour de Haneke, que lhe deu a mais vasta premiação internacional de toda a sua carreira. Ao mesmo tempo manteve uma presença regular nos palcos do teatro.

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