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Crónicas de uma estação espacial em… Telavive

Texto: NUNO GALOPIM

Leitura recomendada aos que gostam de seguir novidade da ficção-científica,
“Central Station” de Lavie Tidhar coloca-nos perante um mundo futuro onde a diversidade habita o tutano da humanidade, que assimilou tecnologias e convive com alienígenas.

Uma das mais fascinantes leituras de ficção-científica (FC) dos últimos meses surge na forma de uma coleção de retratos e momentos que, em conjuntos, nos dão a conhecer o quotidiano em volta de uma grande estação espacial que cresceu em Tel-Aviv. Sim, Tel-Aviv, em Israel… Tal como recentemente a trilogia Remembrance of Earth’s Past de Liu Cixin, que nos alertou para a urgência de acompanhar a criação de FC na China, este livro não só confirma promessas anteriores do autor como nos lembra que nem só em terrenos culturais e geográficos mais férteis de outrora o género emerge, em Central Station havendo inclusivamente, sem abdicar da presença de projeções no futuro marcas culturais atuais e históricas, a exploração de uma noção de multiculturalidade que junta às várias diásporas terrenas uma nova assimilação de tecnologias e a presença de entidades alienígenas que, ali, connosco vivem…

Lavie Tidhar não é um iniciado. Tem uma obra com vários títulos publicados, que vão desde o conto ao romance e também ao universo das graphic novels, e já com prémios conquistados. De berço israelita, o autor (de 40 anos) viveu já em lugares tão diferentes como o Laos, Vanuatu (no Pacífico) ou África do Sul  e hoje reside em Londres. Essa forma livre de cruzar lugares e somar experiências acaba assim projetada em Central Station, que nos leva a um futuro no qual vários outros planetas estão colonizados e a humanidade conhece novas formas de relacionamento, aceitando inclusivamente a presença simbiótica com entidades vindas de outros lugares, assim como uma convivência, já integrada no dia a dia, da inteligência artificial e de novas conquistas da biotecnologia.

Mais do que uma trama sequencial – apesar de haver um caminho narrativo a ser desenhado quase que não dando nós por ele – Central Station vive de uma coleção de olhares centrados cada qual em personagens cujas vivências ajudam a construir aquele emaranhado de gentes que faz da estação “central” tão aparentemente caótico amontoado de histórias. O livro obriga (aos menos habituados a ler FC) a um esforço de assimilação de uma série de realidades ficcionadas que, de tão integradas no dia a dia de quem ali vive, são banalidades do quotidiano. Ultrapassada a estranheza mergulhamos na face maus universal e humanista que habita o tutano das figuras e narrativas. Afinal, mesmo diferente em muitas coisas, aquele tempo e aquele lugar têm muito de nós, dos nossos anseios e medos…

“Central Station” de Lavie Tidhar está disponível numa edição de 275 páginas pela Tachycon.

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