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Uma banda pós-punk ao lado de… Philip Glass

Texto: NUNO GALOPIM

Editado em 1980 o álbum de estreia dos nova-iorquinos Polyrock apresentava como produtores como produtores Kurt Munkacsi e Philip Glass, este tocando mesmo teclas em vários temas e piano em “Bucket Rider”.

Entre a multidão de bandas que fizeram a banda sonora do universo pós-punk entre finais dos setentas e inícios dos oitentas contam-se referências centrais à construção dos tempos que se seguiram – e basta citarmos nomes como os Joy Division, The Cure, Duran Duran, Bauhaus ou The Associates para sabermos do que estamos a falar. Mas entre os muitos que o tempo não registou com a mesma intensidade há casos a rever. E os Polyrock são um bom exemplo. Sexteto criado em Nova Iorque em 1978, captando a energia intensa de uma música que então descobria caminhos entretanto abertos pela revolução punk, nasceram sob uma certa liderança do vocalista e guitarrista Billy Robertson (antes um elemento dos Modern Citizen), juntando ainda as presenças da percussionista Catherine Oblasney, o guitarrista Tommy Robertson, o baterista Joseph Yannece, o teclista Lenny Aaron e o baixista Curt Cosentino.

Porém, ao olharmos atentamente para a ficha técnica de Polyrock, o álbum através do qual se apresentaram em 1980, notamos a presença, como produtores de dois nomes bem sonantes: Kurt Munkacsi e Philip Glass (este tocando mesmo teclas em vários temas e piano em Bucket Rider).

É que, apesar das eventuais afinidades que podemos encontrar entre os Polyrock e outros contemporâneos seus – nomeadamente os Suicide e, pela angulosidade minimalista e inteligente do trabalho das guitarras, os Television – a presença de Philip Glass acaba por ser a alma inspiradora mais evidente entre os dez temas (cantados e instrumentais) que fazem o alinhamento do disco. Your Dragging Feet é o mais evidente herdeiro da linguagem de Glass, as vocalizações e o trabalho de teclados estabelecendo pontos entre as heranças recentes de um North Star ou mesmo Einstein on The Beach.

Mas mesmo quando as guitarras e a dinâmica estrutural da canção pop/rock são protagonistas, como em No Love Lost, por exemplo, o gosto pela repetição e a presença (evidente) do trabalho de teclas vincam esta ligação, fazendo de Polyrock um marco histórico (ainda à espera de reconhecimento mais evidente) na relação entre o trabalho de um compositor ligado aos espaços da música clássica e as linguagens pop/rock.

Ou seja, antes mesmo das pontes materializadas mais tarde em trabalhos com os S’ Express, Aphex Twin, Mick Jagger ou no ciclo Songs From Liquid Days (onde colaboraram nomes como os de David Byrne, Paul Simon, Laurie Anderson ou Suzanne Vega), é em Polyrock que Philip Glass conhece primeiros sinais de como a sua obra se afirmaria como uma das mais influentes entre os grandes compositores da sua geração. Precisamente por não acreditar em fronteiras que separem músicas, músicos e a sua vontade em dialogar.

De vida curta (separaram-se em 1982), os Polyrock editaram ainda um segundo álbum em 1981, uma vez mais contando com a colaboração em estúdio de Philip Glass que, nessa altura, trabalhava na banda sonora de Koyaanisqatsi e lançava as bases de Akhnaten, a sua terceira ópera-retrato.

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