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Cem anos depois, entre o Porto e Lisboa

Texto: NUNO GALOPIM

Cem anos depois a exposição que o próprio Amadeo de Souza-Cardoso levou ao Jardim Passos Manuel (Porto) e à Liga Naval (Lisboa) está a ser recriada. E depois de uma passgem pelo Museu Nacional de Soares dos Reis está agora, e até dia 26, no Museu do Chiado.

Esta é uma exposição diferente de todas as que, depois de 1916 (e não foram assim tantas) juntaram num mesmo espaço um corpo significativo de obras de Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918). E porquê? Porque mais do que procurar a explicação de um percurso artístico ou de estabelecer afinidades com obras de outros artistas, a exposição que neste momento está patente no Museu do Chiado (e que em finais do ano passado também chamou multidões ao Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto), procura recriar, tanto quanto o possível, a exposição histórica que o próprio Amadeo apresentou no Porto e em Lisboa há precisamente cem anos. As obras que aqui agora encontramos não partiram de uma seleção de um curador, já que resultaram da escolha que o próprio pintor fez quando, em 1916, preparou uma mostra da sua pintura no Jardim Passos Manuel no Porto (que teve números de frequência absolutamente espantosos) e, depois, na Liga Naval Portuguesa, em Lisboa. Estão aqui cerca de 70 por cento das obras originalmente expostas, propondo assim uma viagem de cem anos no tempo.

Uma mostra na qual Amadeo arregaçou as mãos em várias frentes, já que foi ele mesmo que se encarregou da logística (escolheu os locais, assegurou os transportes e acompanhou a montagem) e, depois, fez visitas guiadas aos jornalistas, numa das entrevistas então concedidas tendo negado pertencer a qualquer movimento artístico das vanguardas de então numa outra confessando o seu interesse pela arte medieval. Houve, de resto, expressiva divulgação da exposição na imprensa da época.

A exposição acontece em plena I Guerra Mundial, quando Amadeo (que vivia em Paris) regressa a Portugal. Na altura era um nome já reconhecido em alguns circuitos de vanguarda europeus, com presença em exposições coletivas tanto em grandes capitais europeias (Paris, Berlim, Londres) como em cidades americanas (Nova Iorque, Chicago e Boston). No Porto e em Lisboa as suas obras geraram opiniões diversas. E levantaram debates. A etapa em que as obras estiveram expostas em Lisboa, em dezembro de 1916, corresponde ao momento em que Amadeu conhece Almada Negreiros, do qual surgem várias consequências, uma delas um manifesto que afirma que “Amadeo de Souza-Cardoso é a primeira descoberta de Portugal na Europa do século XX”.

Ficam aqui imagens de algumas das obras que ali podemos ver:


“Chalupa” (1914), Fundação Calouste Gulbenkian


“Par Impar” (1915-16), Coleção Particular


“Vida dos Instrumentos” (1916) Fundação Calouste Gulbenkian


“Mucha” (1915) Fundação Calouste Gulbenkian


“A Casita Clara” (1915), Fundação Calouste Gulbenkian


“Paisagem figura-negra” (1914-15) Fundação Calouste Gulbenkian


“Paysagem Manhufe” (1912-1913) Colecção particular


“Le Moulin”, desenho para o álbum “XX Dessins” (1912), Fundação Calouste Gulbenkian

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