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Uma nova visão pop para heranças de outros tempos

Texto: NUNO GALOPIM

O novo álbum dos nova-iorquinos The Dig revela um desvio da sua música para terrenos pop. Sintetizadores e memórias herdadas entre referências dos anos 60 e 70 revelam em “Bloodshot Tokyo” uma visão daquilo que os MGMT não quiseram fazer após o seu “Oracular Spectacular”.

Não é difícil de imaginar como os Strokes terão sido (talvez em conjunto com uns TV on The Radio e os Yeah Yeah Yeahs) uma das bandas mais inspiradoras para jovens músicos nova-iorquinos que, na primeira década do século, sonharam com o seu dia de estar também num palco, a mostrar as suas canções. Com obra em disco desde 2010, mas vivências conjuntas em torno da música desde os dias da sua mais tenra juventude, os The Dig foram dando primeiros passos em discos que deixaram desde logo clara o seu interesse por ecos das canções pop/rock dos sessentas e setentas.

A aura (leia-se certa admiração pelos) Strokes pairava contudo sobre os seus primeiros álbuns, revelando os dois EPs mais recentes sinais de que esse era um assunto a caminho de ser devidamente resolvido e arquivado. E agora, eis que chegamos a Bloodshot Tokyo, álbum no qual deixam emergir à pele das canções uma pulsão pop que nunca brilhara tão luzidia. E é no diálogo que estabelecem entre uma presença mais evidente do que nunca dos sintetizadores e uma vontade em manter focos de admiração por referências dos anos 60 e 70 (e os Kinks são um nome que eles mesmos apontam entre as suas referências), e que não ignora também um interesse pelas dinâmicas rítmicas que o funk ensinou à canção, que Bloodshot Tokyo revela finalmente as reais potencialidades de uma banda que parece entrar em cena para fazer deste disco o passo pop seguinte a Oracular Spectacular que os MGMT nunca quiseram até aqui fazer.

Mais polidas na produção, menos intensas nas angulosidades, mais contidas na eletricidade, as canções apontam agora a um rumo mais claro e luminoso, fazendo de Bloodshot Tokyo um cativante cartão de visita para a sua (re)descoberta. Recomendado para quem gosta de uma pop com sabores vintage com travo elegante e contemporâneo.

“Bloodshot Tokyo” dos The Dig está editado nos formatos de LP e CD e disponível em plataformas digitais num lançamento da Universal Music. ★★★★

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