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Como respeitar o legado de “24” em metade do tempo…

Texto: NUNO GALOPIM

A estreia de um descendente de “24” devolve ao pequeno ecrã o universo que inspirou uma nova geração de ficções televisivas centradas em questões de segurança nacional. O primeiro episódio garante que o legado está vivo e… acelerado.

É coisa a que nos habituámos já na música. E porque não na ficção televisiva também?… Na verdade, desde que foi apresentado o derradeiro episódio da última temporada de 24, a série que colocou em cena um modelo de simulação da ação em tempo (mais ou menos) real e que abriu caminhos para uma nova geração de ficções centradas em situações de “segurança nacional” (da qual Homeland e Designated Survivor são dois exemplos) conheceu outras vidas, quer no telefilme 24: Redemption quer na série de 12 episódios 24: Live Another Day, criações que alargaram o universo ficcional desta ideia de Manny Coto e Evan Katz que, ainda estava a série televisiva em produção, conhecera já dois primeiros spin offs expressamente criados para os circuitos online. Agora, após algum silêncio, 24 regressa num modelo que concentra a ação em 12 episódios (metade das rotinas originais), embora mantenha a CTU como pólo comum e uma lógica semelhante de, em tempo “real” acompanhar ações em paralelo que se entrelaçam numa trama central no regime pé no pedal que sempre caracterizou este universo.

Se Jack Bauer era a figura de referência, interpretado por Keifer Sutherland (que agora veste a pele de um presidente sob ameaça em Designated Survivor), o protagonismo cabe em 24: Legacy a Eric Carter (interporetado por Corey Hawkins), um veterano militar negro com memórias de combate algures no Médio Oriente e que, como nos mostrou o primeiro episódio, tenta escapar de uma vingança que custou já a morte da maior parte dos companheiros com os quais desencadeou uma ação anti-terrorista.

Com um senador em campanha eleitoral por perto e uma possível presença de alguém ligado a esse grupo terrorista no coração dos departamentos de segurança, a trama deu logo no episódio (que foi dos zero aos cem à hora em poucos segundos) a certeza de que o “legado” de 24 está aqui presente, mesmo com novos rostos e situações em jogo. A alma da trama e o estilo visual (incluindo o recurso ocasional ao split screen) garantem a continuidade.

A presença de um ator afro-americano no papel protagonista tem dado que falar. Mas está longe de ser surpresa maior, dado o legado de todo este universo de ficção. Se nos recordarmos da série original de 24, e estávamos em 2001 (em início da era Bush), uma das figuras do núcleo central de personagens era o senador David Palmer (interpretado por Dennis Haysbert), que um ano depois, chegava à presidência… Ainda nem Barack Obama tinha então manifestado a sua intenção de se candidatar…

Resta ver como será feita a gestão das “horas” havendo 12 episódios para resolver a trama… Na verdade, pelo que se antecipa (e respeitando a regra do “tempo real”), a história, que começa ao meio dia, estará concluída à meia-noite. Não são exatamente as 24 horas que o título original sugere… Mas atenção que esta série se apresenta como 24: Legacy… E o legado está na narrativa, no modelo de construção visual, na alma das personagens… E ninguém lhe ia chamar… “12” pois não?

“24: Legacy” está a ser exibida às segundas-feiras na Fox

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