Um certo conforto depois das tempestades
Texto: NUNO GALOPIM
O mundo dos Sufrer Blood não é o mesmo. O baixista saiu em 2015 para responder a uma oferta de trabalho que surgiu no Texas. No mesmo ano o guitarrista morreu vítima de uma forma rara e agressiva de cancro para cuja luta a banda se mobilizara como lhe fora possível. Passaram-se então dois anos. E a banda, natural da Florida, apresenta agora em Snowdonia (que é o seu quarto álbum) um mundo que na verdade não parece ser muito diferente do que outrora nos mostrava. Indie rock com filiação na “clássica” escola Pixies (de onde vem certamente o seu apetite melodista mais luminoso), mas em canções que, pelo menos para já, não parecem procurar outros desafios ou caminhos. Com uma capa magnífica (que só de olhar dá frio), o álbum é uma coleção agradável, mas pouco surpreendente, de canções onde a tensão elétrica, o melodismo pop (que as teclas ao fundo adocicam) e uma voz frágil nos conduzem por caminhos que soam a mundos algo familiares. Há assim, aqui, e depois das tempestades pelas quais passaram, a manifestação de um certo conforto… Ouve-se bem o disco, sim. Mas não parece capaz de encantamentos maiores.
“Snowdonia”, dos Surfer Blood, está editado em LP e CD e disponível nas plataformas digitais em edição pela Joyful Noise ★★★


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