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Uma exposição para redescobrir a poesia experimental portuguesa

Texto: HELENA BENTO

A exposição inaugurou a 12 de fevereiro na Galeria Zé de Bois, onde estará patente até 15 de abril. São apresentados trabalhos e publicações de poetas como E. M. de Melo e Castro, Ana Hatherly, António Aragão, Salette Tavares e José-Alberto Marques.

Desde o dia 12 de fevereiro estão em exposição, na Galeria Zé dos Bois (ZDB), em Lisboa, uma série de publicações e trabalhos da primeira geração de poetas experimentais portugueses, que inclui artistas como Ernesto de Melo e Castro, Ana Hatherly, António Aragão, Salette Tavares, José-Alberto Marques, Liberto Cruz (Álvaro Neto), Abílio-José Santos, Herberto Helder, António Barahona da Fonseca e Silvestre Pestana.

A exposição VERBIVOCOVISUAL, com curadoria de Natxo Checa, centra-se no período entre 1959 e 1974 e recupera páginas escritas e desenhadas por autores portugueses que “exploraram novas formas de organização da palavra na página que desafiem o leitor não só a ler, mas a ver a poesia”, lê-se na nota de imprensa. São ainda percorridos os antecedentes da poesia experimental portuguesa em obras literárias de Jaime Salazar e Alexandre O’Neill. “Ideogramas” (1962), de E. M. de Melo e Castro, considerada uma das obras fundamentais do experimentalismo poético português, é uma das peças em destaque na retrospetiva. Nela estão também representados artistas internacionais que, de algum modo, seja em publicações, seja em exposições, se relacionaram com aqueles poetas portugueses, nomeadamente Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Augusto de Campos, Pierre Garnier, Henri Chopin, Ian Hamilton Finlay, John Furnival, Ken Cox, Bob Cobing, Pedro Xisto e Mei Leandro de Castro.

O nome Poesia Experimental surgiu com a publicação, em 1964 e 1966, sob a direção de António Aragão, Herberto Helder e também de E. M. de Melo e Castro, dos Cadernos de Poesia Experimental, que vieram definir linhas de convergência e coerência entre os diferentes experimentalistas. Segundo o professor e investigador Rui Torres, que tem dedicado parte do seu trabalho ao estudo deste movimento literário, a Poesia Experimental Portuguesa, surgida nos finais da década de 1950, num contexto de grande repressão política generalizada, “caracteriza-se essencialmente pela contestação da crítica literária vigente, denunciando a inadequação da crítica aos novos materiais do poema”. A partir das “propostas desenvolvidas ao longo dos textos que os experimentalistas deixaram é possível concluir que a PO-EX [acrónimo criado por E. M. de Melo e Castro para uma exposição da época] opõe-se ao sentimentalismo e ao discursivismo da poesia tradicional em geral; rejeita a rigidez da métrica e da rima; propõe o objectivismo e o trabalho colectivo para contrabalançar uma herança demasiado pesada de psicologismo individualista próprio da geração do Orpheu”, sugere a resistência e o internacionalismo como forma de rejeitar o projecto nacionalista do Futurismo português; e rejeita o discurso ideológico do Neo-realismo e o automatismo do Surrealismo”, propondo, em vez disso, uma “aproximação ao cientismo”, escreve Rui Torres no seu site dedicado ao estudo do movimento.

A exposição VERBIVOCOVISUAL inaugurou no passado domingo, num evento que ficou marcado pela reencenação do happening “Concerto e Audição Pictória”, realizado pela primeira vez em 1965, e que contou com a participação de Américo Rodrigues, António Poppe, Rafael Toral, Nuno Moura e Lula Pena, entre outros escritores e artistas.

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