Últimas notícias

“Musicology”: Prince embarca numa rota de reencontros

Texto: NUNO GALOPIM

Editado em 2004, o álbum “Musicology” traduziu uma vontade de reencontro com modelos que tinham definido algumas das melhores criações de Prince. Foi o seu melhor disco em vários anos e também o mais bem sucedido desde “Diamonds and Pearls”.

Depois de uma sucessão de propostas essencialmente votadas aos mais fiéis seguidores do músico, que o acompanhavam de perto através do seu NPG Music Club (uma expressão clara da entrada em cena da Internet como elemento de transformação nos circuitos de distribuição musical), Prince chegou a 2004 com uma mão-cheia de propostas que não só davam continuidade a esta política editorial recente e confirmavam a sua prolífica atividade em estúdio, como traziam de novo uma vontade em abrir as janelas da comunicação com plateias mais vastas. É verdade que N.E.W.S., de 2003, tinha conhecido edição em suporte de CD em alguns territórios e que Rainbow Children, de 2001 (editado pela NPG Records) havia conhecido uma expressão internacional considerável. Mas desde o momento da viragem do milénio não tinha havido na agenda de Prince a vontade em estabelecer um acordo com uma grande editora para levar a sua música a outros patamares de possibilidades… Aconteceu com Musicology. Que, na verdade, começou por ter uma vida longe dessa dimensão global…

A 29 de março de 2004, data do lançamento de um novo disco de estúdio em suporte de CD, havia na verdade mais dois outros álbuns a surgir, mas esses apenas com lançamento digital (e uma vez mais através do serviço de distribuição do seu site oficial). Musicology começou por ter uma vida mesmo assim diferente do habitual, já que quem frequentou os concertos da digressão então em curso recebia o disco como oferta na sala de espetáculos. O apelo mais mainstream que o alinhamento revelava, mostrando um tronco estrutural funk mas aberto a diálogos com outras músicas (segundo as mais clássicas premissas da discografia de Prince) serviu contudo para entusiasmar o entusiasmo no circuito editorial mais convencional. E assim, poucos dias após a primeira edição física para oferta, o álbum surgia nas lojas de discos num lançamento conjunto entre a NPG Records e a Sony Music, naquele que era assim o primeiro disco de Prince a conhecer uma edição (mesmo que conjunta) com uma multinacional desde Rave Un2 The Joy Fantastic na viragem do século.

O tema-título do álbum cativou atenções. E foi justificadamente escolhido como primeiro single, recuperando uma dimensão quase pop para uma canção de fôlego funk, um pouco como acontecera em temas de outros tempos. De resto, no final da canção há um jogo de sonoplastia que sugere um aparelho de rádio a cruzar frequências nas quais se escutam, breves memórias de temas célebres como Kiss ou Little Red Corvette.

O restante alinhamento, mesmo edificado sob um protagonismo funk, alarga horizontes e abre pontes como Prince não fazia há algum tempo, revelando a sua mais suculenta canção de canções em alguns anos, não faltando uma grande balada na melhor tradição R&B em Call My Name ou uma evidente incursão pelas memórias pop/rock das suas criações dos oitentas em Cinamon Girl. Não será por isso surpreendente o facto de este ter representado o seu momento de maior sucesso desde Diamonds and Pearls.

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: