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Será suficiente ter um elenco de luxo?

Texto: NUNO CARDOSO

“Big Little Lies”, a nova aposta da HBO, peca no elemento diferenciador, mas tem nos desempenhos de Nicole Kidman, Reese Witherspoon e Shailene Woodley o seu ás de copas.

O mercado da ficção televisiva está altamente feroz, competitivo e exigente, quer em termos quantitativos como qualitativos. A oferta é avassaladora e o público já não se contenta com qualquer coisa. Por isso, mais do que nunca, e esta é a difícil tarefa nos tempos que correm, uma série deve ter o seu índice diferenciador elevado se pretende sobreviver ao teste do tempo e ao interesse dos espectadores.

A julgar pelo primeiro episódio, Big Littles Lies, a nova série de drama e comédia da HBO, que se estreou simultaneamente nos EUA e em Portugal (no TV Séries) na madrugada desta segunda-feira, não é propriamente inovadora no seu argumento: uma sátira social à suposta vida perfeita dos ricos e bonitos.

Um grupo de mães, que leva uma vida aparentemente perfeita numa cidade costeira no subúrbio da Califórnia, vê o seu glamoroso dia-a-dia ser abalado por uma misteriosa morte que coloca a localidade em choque, ao mesmo tempo que se vão descobrindo os segredos que escondem no passado ou dentro de duas casas. Quantas vezes já este tema foi retratado na TV e no cinema? Não é preciso recuar muito para dar apenas um exemplo. “Não estamos a imitar Donas de Casa Desesperadas”, dizia um responsável da HBO há umas semanas. A premissa, pelo menos, é a mesma.

Dito isto, se há algo que Big Little Lies conseguiu captar é a curiosidade do público em torno do seu elenco, angariando grandes nomes de Hollywood para o papel de protagonistas, como Nicole Kidman e Reese Witherspoon, que aqui concretizam uma aposta à séria na televisão – a primeira apenas fez um telefilme na última década e a segunda pequenas participações. Às duas atrizes, aclamadas pelo seu trabalho na sétima arte, juntam-se Shailene Woodley como a terceira cabeça-de-cartaz e ainda a presença de Laura Dern, Alexander Skarsgärd ou Zöe Kravitz, entre outros.

A entrega no desempenho de Kidman, Witherspoon e Woodley é notório desde o início deste primeiro de sete episódios e, por momentos, faz esquecer alguma falta de originalidade aqui e ali. A estética e o estilo cuidados e coerentes de Big Little Lies é também um dos seus elementos-fortes, em parte pelo orçamento dado pela HBO, mas também por ter sido a mesma pessoa, Jean-Marc Vallee (realizador de O Clube de Dallas), a filmar todos os capítulos da primeira temporada. Algo que, de resto, não é normal no universo das séries, que tendem a ter vários realizadores ao longo das suas temporadas.

Baseada no best-seller homónimo de Liane Moriarty, e com argumento de David E. Kelly (Ally McBeal), Big Little Lies segue a recente tendência do encurtamento de séries no seu número de episódios e é um claro tributo ao talento no feminino, com um elenco quase todo composto por mulheres, algo que talvez não se veja desde Orange Is The New Black, da Netflix.

A curiosidade do público e a promoção mediática em torno de Big Little Lies, alicerçado pelas prestações de Kidman e Witherspoon, deram o primeiro empurrão na caminhada desta série. Se será suficiente para o alimentar daqui para a frente, veremos…

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