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A Bowie o que é de Bowie…

Texto: NUNO GALOPIM

As quatro canções inéditas que David Bowie compôs e gravou para o musical “Lazarus” tiveram edição digital no dia em que faria 70 anos. Agora o EP “No Plan” tem edição em suportes físicos, juntando uma importante peça à sua discografia.

Quando acordámos na manhã de 8 de janeiro de 2013 havia uma “prenda” de Bowie para todos nós. Era seu o aniversário. Mas nesse dia passava a ser nosso um segredo que ele mesmo guardara durante dois anos: após dez anos de silêncio havia um disco novo. E, nessa manhã de janeiro, conhecíamos em Where Are We Now o seu cartão de visita. Esta ideia de nos dar presentes no seu dia de aniversário repetiu-se quando, a 8 de janeiro de 2016, quando Bowie celebrava o seu 69º aniversário, recebemos as canções de Blackstar, não imaginando então nenhum de nós que, na verdade, a sua despedida estava a horas de acontecer. O dia 8 de janeiro de 2017 foi o primeiro dia de aniversário sem Bowie. Mas mesmo assim não deixámos de ser brindados com a novidade. A de um teledisco para No Plan e da edição, por enquanto apenas em suporte digital, de um EP no qual se juntavam os quatro temas inéditos criados e gravados por Bowie para o musical Lazarus, acrescentando assim algumas mais notas a todo um programa temático e estético que fizera entretanto de Blackstar um dos mais aclamados, premiados e bem sucedidos dos álbuns do músico desaparecido em 2016.


Capa da edição digital

No Plan, canção que dá título a este EP que agora conhece lançamento nos suportes físicos de CD e vinil, é uma canção de recorte elegante e na qual reencontramos a faceta de crooner de Bowie. Além de Lazarus, que é destes quatro temas o único que estava já no alinhamento do álbum Blackstar, No Plan traduz a mais evidente das notas de despedida que este EP junta às já antes lavradas no álbum, revelando a letra um olhar sobre a vida, contudo através de um ponto de vista quase exterior, distante. Ali nos diz que não leva arrependimentos e que está agora em lado nenhum… E, tal como o título sugere, sem planos…

Killing a Little Time, canção na qual Bowie confessa que está a desaparecer e a sufocar, é uma canção desenhada sob o mesmo fulgor de diálogo entre o jazz e rock de Blackstar e poderia ter, sem desconforto ou contrastes, ter sido integrada no alinhamento do álbum do ano passado. Aqui conta-nos que “está a matar tempo”, sugerindo uma ideia que adquiriu uma ressonância mais assombrada quando soubemos que, quando estava em estúdio para gravar estas sessões, havia já em si uma consciência de que, para si, os dias estavam contados.

When I Met You, que completa o alinhamento do EP, revela uma possível ponte entre as criações da fase final da sua obra e os episódios imediatamente anteriores. Sugere assim um possível elo de ligação entre o que escutámos em Blackstar e a memória ainda bem recente de The Next Day, o espantoso disco de rock com o qual se rompera em 2013 uma década de silêncio.

Convém lembrar que nenhum destes quatro temas é inédito já que, em finais do ano passado, os quatro surgiam integrados na banda sonora do musical Lazarus. Mas convenhamos que a sua individualização num EP póstumo de David Bowie lhes confere um outro valor enquanto peça da sua discografia.

“No Plan”, de David Bowie, é um EP disponível em CD, vinil e nas plataformas digitais, num lançamento da ISO Records, com distribuição da Sony Music. ★★★★

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