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Novos olhares sobre a música de Ligeti

Texto: NUNO GALOPIM

O jovem pianista Joonas Ahonen, o maestro Baldur Brönnimann e o violoncelista Christian Poltéra juntam-se em disco com o ensemble Bit20 numa mesma altura em que é reeditada a gravação da ópera “Le Grand Macabre”, numa gravação dirigida por Esa-Pekka Salonen.

O pianista Joonas Ahonen

Três concertos e uma peça de música orquestral fazem de uma nova edição do ensemble norueguês Bit20 um disco a ter em conta entre os títulos que continuam a dar vida à obra do compositor húngaro György Ligeti (1923-2006). Como certamente aconteceu com muitos tive (há já bastantes anos) um um primeiro contacto com a sua música ao escutar peças suas como Lux Aeterna, Atmosphères ou o Kyrie do seu Requiem, entre as imagens de 2001: Odisseia no Espaço de Stanley Kubrick. Se é este o seu caso também, então tem aqui um belo motivo para continuar os percursos de descoberta (valendo desde já a pena ter Clear or Cloudy, uma coleção de gravações reunidas numa caixa de 4CD que a Deutsche Grammophon publicou em 2006 entre destinos futuros desta mesma demanda).

O maestro suíço Baldur Brönnimann (que é neste momento o maestro titular da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música) dirige aqui o ensemble Bit20 num programa (editado em SACD pela Bis) que junta dois concertos da segunda metade da década de 60, correspondendo a um período de intensa exploração de ideias que corresponde aos anos que se seguiram à sua saída da Hungria, com nova vida na Áustria. O Concerto para Violoncelo (de 1966, ou seja, o mesmo ano de Lux Aeterna) e o Concerto de Câmara (composto entre 1960 e 1970), tal como a peça orquestral Melodien (1971) são expressões do alargamento da música de Ligeti a novas dimensões que, de resto, o integraram entre os mais marcantes dos compositores das vanguardas de então. De finais dos anos 80, o Concerto para Piano corresponde a uma outra etapa da sua incansável procura enquanto autor.

Cabe ao jovem piansta finlandês Joonas Ahonen (na imagem que abre o post) o papel de ser o solista nesta belíssima gravação que assim se junta a uma discografia pessoal que está a fazer de si um dos nomes de referência em obras para piano de compositores contemporâneos. O violoncelista é o outro protagonista neste conjunto de propostas que fazem deste uma das mais cativantes edições de música orquestral de Ligeti dos últimos tempos.

O ano de 2017 está na verdade a ser rico em acontecimentos discográficos, dando assim continuidade a um 2016 igualmente bem povoado em novos títulos (o que se explica facilemte já que o ano passado assinalava a passagem dos dez anos sobre a morte do compositor). Além de uma nova gravação da Sonata para Violoncelo por Natalie Clein (ed. Hyperion), estes primeiros meses de 2017 acolheram uma reedição, pela Sony Music Classical, da ópera Le Grand Macabre, na versão definitiva que Ligeti apresentou em 1997. Esta, que é a única gravação desta ópera, nasceu de uma apresentação ao vivo em 1998 pela Philharmonia Orchestra, dirigida por Esa-Pekka Salonen, e teve primeiro lançamento em disco em 1999.


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