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Quando a personalidade vence as modas

Texto: NUNO GALOPIM

Já veterano, com uma carreira a caminho das duas décadas de discos, o músico norte-americano que assina como Lusine apresenta no novo “Sensorimotor” um álbum onde heranças ‘electro’ animam canções e instrumentais que sabem fugir aos modelos da moda.

Com uma obra em disco iniciada em finais dos anos 90, o norte-americano Jeff Mcllwain pode não ser das figuras mais faladas nos lugares mais cool onde se celebram habitualmente as músicas feitas com eletrónicas. E talvez a pouca disposição em afinar a pontaria da sua música por um caminho mais evidente justifique porque não é nome mais citado num ou outro terreno onde as mesmas ferramentas com que trabalha geraram mais casos de sucesso ou figuras de culto. Assinando com a designação Lusine desde que em 2003 encontrou na Ghostly International a casa pela qual tem definido desde então a sua discografia, este músico de origem texana, hoje residente em Seattle, e que fez a sua formação no California Institute For The Arts, onde estudou as diversas formas de música eletrónica do século XX e também sound design para cinema, ora experimenta flirts com a canção, ora mergulha por aventuras mais distantes de uma estrutura pop.

Quatro anos depois de The Waiting Room (em cujo alinhamento, mais claramente pop,  se destacava uma bela versão de Get The Message dos Electronic) eis que apresenta em Sensorimotor aquele que é talvez o seu melhor disco. O ecletismo que sempre dominou a sua obra está uma vez mais aqui presente. Mas há aqui, mais do que nos seus discos mais recentes, uma condução de opções num sentido focado, encontrando num discurso eletrónico algo minimalista (e claramente filiado em raízes electro) um denominador comum pelo qual define tanto os instrumentais mais paisagistas – alguns quase em flirt com formas recentes de techno miniminal – com canções nas quais mostra como uma boa dieta pode despir dos lugares comuns mais em voga muita pop eletrónica atual, acabando assim por ser mais capaz de expressar assim uma identidade autoral.

Entre os remas de Sensorimotor não há exatamente a placidez paisagista de um Pantha du Prince, o apelo pop noturno de uns Chromatics ou os desafios formais, atentos às relações dos timbres com as batidas, de um Ghost Culture… Mas é entre estes três vértices que tudo aqui acontece. E a culinária proposta é de sabores apurados, tanto nos instrumentais (que são o grosso do alinhamento) como em quatro canções que se enquadram magnificamente no programa conjunto aqui apresentado. Para saborear, portanto…



“Sensorimotor”, de Lusine, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais, em edição da Ghostly International ★★★★

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