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A trilogia orquestral de Adès reunida num só disco

Texto: NUNO GALOPIM

Três exemplos magníficos da escrita orquestral de Thomas Adès foram surgindo, aos poucos, desde 1997. Agora “Asyla”, “Tevot” e “Polaris” surgem pela primeira vez em sequência num disco único, em interpretação da London Symphony Orchestra, dirigida pelo próprio compositor.

Há um nome a não perder do horizonte sempre que falarmos da música que está a marcar este início de século: Thomas Adès. Nascido em Londres em 1971, o compositor conta já com um expressivo currículo no qual se apresentam obras estreadas por Simon Rattle com a Filarmónica de Berlim, três óperas, inúmeros prémios, a direcção do festival de Aldeburgh entre 1999 e 2008 e uma extensa discografia, não apenas com registos de obras suas, mas apresentando-o igualmente como pianista e maestro. E é como maestro e compositor que o reencontramos neste primeiro olhar panorâmico sobre uma trilogia de peças orquestrais que nasceram, com dez anos de intervalo, entre 1997 e o presente.

A música de Adès comporta ao mesmo tempo um sentido de desafio, mas revela-se no fim absolutamente sedutora, podendo Asyla (obra de 1997 que lhe serviu de importante cartão de visita numa gravação por Simon Rattle com a Filarmónica de Berlim) ser um ponto de partida para quem o queria descobrir. Esta obra, uma peça sinfónica de alma surrealista em vários andamentos, que teve um papel determinante no processo de apresentação da sua música a tantos de nós, surge agora como o capítulo de abertura nesta nova gravação com a London Symphony Orchestra.

Tevot, de 2007 é a segunda parte da trilogia reunida neste disco e representou há dez anos um reencontro de Adès com Rattle e a Filarmónica de Berlim, cerca de uma década depois de lhe ter encomendado Asyla. Obra para orquestra de um andamento único, é uma proposta intensa, que por vezes evoca o romantismo de finais do século XIX (numa escala por vezes quase wagneriana). O título (em hebraico) sugere uma ideia de “arca”… Uma arca que Adès refere como sendo a própria Terra, “uma nave que nos transporta – a nós e a outras espécies – através do espaço e em segurança. É a ideia da nave do mundo”…

A trilogia que Adès aqui junta termina com Polaris, peça orquestral de 2010 que toma a estrela polar como fonte de inspiração. Com o subtítulo A Voyage for Orchestra, explora uma noção de espaço e, quando é apresentada em sala, exige a alguns dos músicos que se coloquem fora do palco para sugerir a noção de vastidão que pretende retratar.

O alinhamento inclui, como extra, uma peça vocal. Trata-se de Brahms, que aqui conta com a presença vocal de Samuel Dale Johnson e que, na verdade, pretende ser uma reflexão crítica sobre a música do mestre do romantismo que assinala no título.

“Asyla, Tevot, Polaris”, de Thomas Adès, em gravação da London Symphony Orchestra, dirigida pelo próprio Adès, está disponível em CD e nas plataformas numa edição da LSO Live

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