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Há uma vivência tropical entre a génese do impressionismo

Texto: NUNO GALOPIM

O museu Ordrupgaard (Dinamarca) tem patente até 2 de julho uma exposição que recorda o encontro de dois jovens pintores na Ilha de São Tomé por volta de 1850. Um deles chamava-se Camille Pissarro e teria anos depois, em Paris, um papel marcante entre os impressionistas.

Ao assinalar o centenário da venda das Índias Ocidentais Dinamarquesas (nas Antilhas) aos EUA o museu Ordrupgaard (nos arredores de Copenhaga) propõe uma exposição que reflete como o encontro na ilha de São Tomé entre os pintores Fritz Melbye (um nome importante da chamada “idade de ouro dinamarquesa”) e Camile Pissarro pode ter conhecido um papel na génese do impressionismo.

Camille Pissarro (1830-1903), que nasceu em São Tomé e tinha originalmente, apesar do pai com ascendência portuguesa, nacionalidade dinamarquesa, tornou-se uma figura de referência na história do impressionismo francês, tendo sido de resto o único a ter obras suas nas oito exposições que definiram o movimento em Paris, entre 1874 e 1886.

Esta exposição agora patente na Dinamarca tenta mostrar como o encontro que o então jovem Pissarro teve, por volta do ano 1850, com o pintor dinamarquês Fritz Melbye (1826-1869) o terá marcado ao ponto de influenciar o rumo futuro da sua obra. Visto como um dos pioneiros do impressionismo, Pissarro será assim o veículo pelo qual aquele encontro e, a montante, a influência da idade de ouro dinamarquesa poderão ter tido no movimento que teve Paris como epicentro em finais do século XIX.

Quando Fritz Melbye chegou a São Tomé era também ele um jovem pintor que assinava sobretudo paisagens nas quais a presença do mar era marcante. Rumara às Américas em busca de inspiração, conhecendo então Pissarro, com quem começou a trabalhar e a trocar ideias. Juntos partiram para Caracas (Venezuela) em 1853, onde criaram um estúdio conjunto e onde ficaram por dois anos. Pissarro rumou então a Paris. Ao passo que Melbye se manteve do outro lado do Atlântico, tendo o tempo acabado por fazer com que perdessem o contacto.

Nesta exposição o museu Ordrupgaard recorda como o também jovem Melbye foi então como um mentor para Pissarro na primeira metade dos anos 50 do século XIX… E nota como heranças dessa vivência seguiram então rumo a Paris quando o mais novo dos dois para ali se mudou para dar primeiros passos de uma carreira que o transformaria numa referência do impressionismo.


“Baía com Veleiro”. Camile Pissarro, 1856. Colección Patricia Phelps de Cisneros


“Personagens a discutir à beira de um caminho”. Camille Pissarro, 1856. Stern Pissarro Gallery, Londres.


“Paisagem, São Tomé”, Camille Pissarro, 1856. Virginia Museum of Fine Arts


“Paisagem das Antilhas, Viajante e burro numa estrada”. Camille Pissarro, 1856. Ordrupgaard


“A estrada de Ennery (Val d’Oise). Camille Pissarro, 1874. Musée d’Orsay, Paris


“Palmeiras e Ervas”, atribuído a Fritz Melbye (sem data). Olana State Historic Site, Hudson, Nova Iorque


“Parti fra Skt. Thomas havn i Charlotte Amalie”. Fritz Melbye, 1851-52, Museet for Søfart.

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