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Canções para mais uma ressurreição

Texto: NUNO GALOPIM

Após nove anos de ausência, contando pelo meio uma série de projetos a solo do vocalista e compositor Jason Lytle, os Grandaddy estão de volta com um disco que assinala uma vontade em continuar a trilhar o seu percurso pelos seus caminhos de sempre.

Se tivéssemos viajado nos últimos anos por uma região remota (ou pelo menos alheada das histórias dos novos discos e de quem os faz) e agora regressássemos, com vontade de ouvir o que de novo está nos escaparates das lojas de discos, a ideia de que uma banda como os Grandaddy se tinha separado e voltado a reunir poderia não fazer sentido se, nas nossas mãos, estivesse o seu novo álbum Last Place. Mas este não só é o primeiro disco que fazem após a reunião de 2012 e, na verdade, o sucessor de Just Like The Fambly Cat, pelo caminho tendo o seu vocalista, compositor e produtor Jason Lytle lançado uma série de gravações a solo. Esta é contudo uma história que tem nele, nas suas canções, referências e voz, a sua principal marca de identidade. E a ideia de separação e reunião, com mais ou menos discos a solo pelo meio não traduz mais que o efeito de episódios no alinhamento de uma série comum. E é entre lógicas de continuidade que nasce mais um disco em tudo fiel à continuação de um trilho que desde cedo mostrou um gosto em cruzar uma presença dos sintetizadores entre uma música mais próxima de terrenos alt-country e outras formas mais plenas de relações com vivências e músicas da América profunda em terreno indie.

Sem repetir a excelência daquele momento maior que nos chegou em 2000 com o álbum The Sophtsware Slump, o quinto álbum de estúdio dos Grandaddy é fruto de uma mesma árvore, que podemos descrever como tendo por afinidade o apelo psicadélico dos Flaming Lips, mas sem as trips experimentais pelo meio, havendo muitas vezes aqui ecos de uma música complexa nas cenografias e elegante nas formas como o que nos davam a escutar os momentos mais tranquilos dos Pink Floyd na alvorada dos setentas.

O disco traduz de novo – face aos discos anteriores de Gradndaddy – um a aproximação a vivências rurais que já se escutavam nos discos a solo de Lytle e que muito certamente se devem ao facto de o músico ter resolvido trocar a mais solarenga e agitada vida californiana por uma tranquilidade entretanto encontrada bem mais a norte, ais concretamente em Montana, onde viveu depois da primeira mudança e no Oregon, para onde se mudou depois do divórcio. E ecos dessas separações habitam agora melancolia que estas canções cantam.

Não se espere aqui uma revolução. Nem uma expressão do incansável fulgor com que James Mercer continua a querer explorar novas possibilidades nos jogos de timbres ao serviço das canções dos The Shins, para referir um caso que pode partilhar interesses em públicos comuns. Jason Lytle parece feliz em continuar a trabalhar com os elementos que têm feito os tijolos das suas canções. Dá-nos assim uma casa que não destoaria das demais que antes construiu. É bela, de facto. Mas está longe de ser uma experiência arrebatadora.

“Last Place”, dos Grandaddy, está editado em LP, CD e disponível em plataformas digitais em edição da Columbia. ★★★

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