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Uma noite… bestial

Texto: NUNO GALOPIM

A celebração de um otimismo que não ofusca um olhar crítico sobre esta nossa maneira de ser – como gente dos povos do sul da Europa – fez da passagem dos Virgem Suta pelo CCB uma noite bem vivida e plena de partilhas entre o palco e a plateia.

Ao cabo de três álbuns, com um corpo de canções que já estabeleceram relações de familiaridade com um público – ao ponto de criar momentos de partilha e participação com a plateia como se escutou ao som da Dança de Balcão – mas com peças novas a juntar a um trabalho em curso, os Virgem Suta (e amigos) fizeram de um serão bem passado, e com casa entusiasmada no Pequeno Auditório do CCB, uma noite… bestial.

A região demarcada da escrita de Nuno Figueiredo é, desde logo, um bom ponto de partida. Ele, que é autor para inscrever naquele clube de eleitos da história da canção pop(ular) portuguesa que cruzam de forma bem pessoal ecos assimilados da melhor cultura pop/rock com heranças das verdades das músicas que têm aqui raíz (o mesmo onde militam figuras como Sérgio Godinho, Carlos Paião ou António Variações), encontrou de facto na voz e fulgor performativo de Jorge Benvinda o parceiro ideal. E, nesta formação sólida a quatro, com a qual se apresentaram em Lisboa, os Virgem Suta têm, além dessa bela carteira de canções, o corpo bem musculado (e bem bebido, ma no troppo) para fazer o que o “limbo” do seu mais recente disco sugere: o ser crítico mas otimista. Ou, como estar estar bem disposto mesmo, se por vezes, o ambiente lá fora possa ser menos entusiasmante. E o bom (e inteligente) humor que cruza canções plenas de histórias vivenciais com as quais é fácil estabelecermos empatia, convenhamos, é matéria prima que, logo à partida, aponta um caminho bom de trilhar em conjunto.

Com um alinhamento bem escolhido e ainda mais bem sequenciado mostraram que o palco sabe juntar algo ao que os discos nos dão a ouvir. E além da partilha (com canto), que não foi coisa para acontecer em episódio solitário ao longo da noite, houve ali sinais de como é com o sangue a pulsar e os músculos a dançar que alguns dos seus episódios mais festivos ganham ainda maior viço. A Regra Geral, ainda melhor em palco do que em disco, é um belo exemplo do entusiasmo com que esta formação veste as canções na hora de as fazer coisa vivida entre amigos, o mesmo se podendo dizer para a enérgica abordagem ao mítico Playback de Carlos Paião. Não faltou a recente Gente Bestial (que lhes valeu uma das maiores salvas de palmas da noite) que, merecidamente, tem agora um lugar de destaque no cancioneiro Virgem Suta. A versão live, que é mais magra do que o irresistível festim pop levado ao pequeno ecrã, serve-a bem. E é sempre bom ver como as canções ganham novas vidas sob novos pontos de vista… Mas aquele arranjo de estúdio, se levado a palco de concerto (e não há que ter medo de usar elementos gravados que o velho debate das verdades do eletrónico e das fitas pré-gravadas era coisa dos anos 60 e 70 e já ultrapassada), faria festa ainda maior.

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