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Um belo reencontro com Yasmine Hamdan

Texto: NUNO GALOPIM

Descoberta por muitos no cinema de Jim Jarmusch e Elia Souleiman e autora de um projeto de pop eletrónica na companhia de Mirwais Ahmadzaï, a cantora de origem libanesa Yasmine Hamdan acaba de editar o seu segundo álbum a solo.

Em tempos estive bem mais atento ao que ia acontecendo nas frentes mais… pop da música nascida nas margens sul e leste do Mediterrâneo. Era assim quando, sobretudo nos oitentas e noventas, a world music parecia ocupar um plano de maior destaque no mapa do jornalismo musical, alargando para além da pop, do jazz e da clássica os focos de atenção mais regulares sobre as edições e os concertos, pelo que mais facilmente as descobertas iam acontyecendo. Foi assim que cheguei a discos marcantes como Yemenite Songs (1984) da israelita Ofra Haza, Wa Di Yé (1992) da tunisina Amina ou Khaled (1992) do argelino Khaled… Mais recentemente o eureka da boa supresa devolveu-me a estas geografias com discos como Ô Houria (2010) da cantautora argelina Souad Massi ou, um ano antes, o delicioso Arabology, álbum de pop eletrónica que a cantora libanesa Yasmine Hamdan registou em parceria com Mirwais Ahmadzaï (sim, o mesmo que colaborou com Madonna nos tempos de Music, American Life, Confessions on a Dancefloor e ainda no single Celebration) e que editou sob a designação Y.A.S. Ela é a mesma que, pouco depois, voltámos a encontrar num momento do filme Only Lovers Left Alive (2013), de Jim Jarmush e que, entretanto, aprofundou a sua relação com o cinema em várias colaborações com Elia Souleiman, com quem vive casada. Em 2012, um ano antes de ser chamada ao cinema de Jim Jarmush, tinha finalmente lançado um álbum em nome próprio e ao qual chamou simplesmente Yasmine Hamdan. O mesmo que, com título Ya Nass, mas com alinhamento alargado (incluindo entre outros temas a canção Hal, que ouvíamos no filme de Jarmusch), surgiu em mais larga distribuição internacional em 2013. Agora, Al Jamilat assinala o episódio seguinte.

Com produção elegante e polida da própria Yasmine, em parceria com Luke Smith e Leo Abraham, o disco começa por nos saudar por um discreto relacionamento da voz com a guitarra acústica mas gradualmente abre terreno à presença não só de mais instrumentos acústicos (e que belos arranjos!) mas também de eletrónicas, encontrando um patamar que não é o mesmo de flirt tão evidente com a cultura pop como o de Arabology, mas que expressa caminhos de elegante contemporaneidade no relacionamento de formas e sonoridades do espaço cultural árabe com os terrenos da canção pop/rock ocidental (e vale a pena sublinhar que Paris é aqui uma capital de acontecimentos), abrindo mesmo frestas de maior ousadia textural em Cafe, o tema mais saboroso de todo o alinhamento. Pena só que a ousadia que este Cafe nos serve não domine de forma ainda mais intensa os sabores das restantes composições.

“Al Jamilat”, de Yasmine Hamdan, está disponível em CD e nas plataformas digitais numa edição da Crammed Discs, que entre nós tem distribuição pela Compact Records. ★★★

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