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O poder narrativo da música de Vaughan Williams

Texto: NUNO GALOPIM

Explêndida interpretação pela Orquestra Filarmónica de Bergen de uma obra para bailado e uma sinfonia, que traduzem o poder sugestivo tanto cénico como narrativo da música de Ralph Vaughan Williams.

Há um lado visual e narrativo em muita da música de Ralph Vaughan Williams (1872-1958), um dos maiores compositores britânicos e um dos grandes nomes da música do século XX que o presente parece estar a redescobrir (a par com a do seu contemporâneo Sibelius). Entre as várias edições em disco que já este ano deram novas vidas a diversas outras obras suas, eis que surge, pela Chandos, e numa belíssima interpretação pela Orquestra Filarmónica de Bergen (Noruega), dirigida por Sir Andrew Davis, uma edição que junta a sombria Sinfonia Nº 9 (a sua última obra orquestral de grande fôlego, estreada em 1958) e o pungente Job: A Masque for Dancing que, em 1930, representou o primeiro grande bailado assinado por um compositor britânico moderno.

Inspirado numa série de gravuras de 1826 William Blake (sim, o poeta, que dominava também a arte da gravura) – as Illustrations on The Book Of Job – este bailado, estreado com uma coreografia de Ninette de Valois, é uma peça orquestral em nove partes (a primeira das quais dividia em dois momentos) e tem tanto na dimensão como na sua estrutura características que podiam entender esta obra como sendo uma sinfonia. As suas qualidades cénicas – que visam a exploração dos vários quadros sugeridos pelas imagens de Blake – representam de resto uma das obras de mais evidente poder sugestivo entre a música orquestral de Vaughan Williams, não sendo de estranhar a familiaridade que alguns momentos sugerem, tantas que foram as ocasiões em que compositores ao serviço do cinema terão encontrado pistas entre as obras deste grande compositor inglês que merecia estar mais vezes representado em programas de música orquestral nas salas de concerto.

“Job” + “Symphony No. 9”, pela Bergen Philharmonic Orchestra, dirigida por Sir Andrew Davies, é uma edição em CD da Chandos também disponível nas plataformas digitais.

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