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Pop, jazz e vice-versa

Texto: GONÇALO COTA

Postmodern Jukebox é um daqueles concertos que tem a propensão de nos fazer aquecer as nossas cordas vocais do principio ao fim. Ontem em Lisboa e hoje no Porto, olham para a pop mais comercial através de um processo criativo que traz sempre uma dialética com estilos musicais de outrora.

Se Ella Fitzgerald cantasse uma canção de Miley Cyrus, o que é poderíamos esperar? É esta a pergunta que os Postmodern Jukebox, o projeto criado pelo pianista e compositor Scott Bradlee no inicio desta década, tenta responder. Os concertos em Portugal, ontem em Lisboa e hoje no Porto, olham para a pop mais comercial através de um processo criativo que traz sempre uma dialética com estilos musicais de outrora.

A seleção de músicas poderia ser inusitada, caso não conhecêssemos os Postmodern Jukebox: o que parte do coletivo de artistas trouxe ao Coliseu de Lisboa pode ser visto no canal de YouTube, que se tornou num fenómeno. A imagética e a musicalidade de Motown e do jazz encontram as letras de Justin Bieber, Adele ou de qualquer outro artista pop, criando uma convergência que reflete sobre a hegemonia da forma sobre o conteúdo. A lógica que nasce da incapacidade de associar imediatamente a lírica a um determinado artista torna-se num permanente jogo de memória.

A fantástica (mesmo fantástica!) qualidade vocal dos cinco membros, que vão intercalando entre si as atuações, e respetiva banda faz-se através de uma dieta que inclui grandes singles da pop recente, desde Bye Bye Bye dos NSYNC e My Heart Will Go On de Céline Dion, até a Toxic de Britney Spears, Carly Rae Jepsen com Call Me Maybe e Halo, de Beyoncé. Passam ainda um pouco – mesmo muito pouco – pelo rock dos Radiohead e Guns N’Roses, com uma versão de Creep ou de Sweet Child o’Mine, respectivamente.

Pelo meio, houve espaço para solos de sapateado e de trompete de modo a incrementar a aura vintage que retoma o passado sem se esquecer do presente. Na despedida, o solo de piano (que tocou o tão português Cheira Bem, Cheira a Lisboa) e de uma versão de Shake It Off, de Taylor Swift arrecadaram as palmas finais. Cativante, singular – não só pela pluralidade de alinhamentos que se pode construir, como também pela clareza da direção artística -, Postmodern Jukebox é um daqueles concertos que tem a propensão de nos fazer aquecer as nossas cordas vocais do principio ao fim.

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