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Que é feito de Patrick Wolf?

Texto: NUNO GALOPIM

Editado em 2007 o álbum “The Magic Position” confirmava então Patrick Wolf como nome de proa de uma nova pop de travo gourmet. Houve mais discos depois, mas desde há cinco anos que não edita música nova.

Foi uma das grandes forças da pop com costela indie britânica da primeira década deste século. Mas deixámos de ouvir música dele há já algum tempo. Sundark and Riverlight (2012) é o seu mais recente álbum e, depois dele, apenas dois EP com material de arquivo entraram em cena. Em 2015 sofreu um acidente que o obrigou a uma longa convalescença, mas desde então ainda não surgiu música nova.

Wind in the Wires (de 2005)  era, no momento da grande revelação (porque o anterior me passara a leste das atenções) um dos grades álbuns da década, e o sucessor The Magic Position surgiu há dez anos ainda foi melhor… E na altura escrevi no Sound + Vision:

The Magic Position é um álbum pop como há muito não se ouvia. Pop com três letras. Grandes. Pop luminosa, mas tão garrida quanto frágil, linguagem de ensaio aqui posta ao serviço do retrato de um ano numa vida, confissões pessoais feitas canções naquele que não só é o melhor disco do jovem músico inglês até à data como representa mais um dos pedaços de música que 2007 registará entre o seu melhor. Mais do que em Lycanthropy ou Wind In The Wires, onde, respectivamente o músico revelava a sua infinita versatilidade nas fontes e, mais tarde, uma busca de requinte e rigor nas formas, The Magic Position mostra um Patrick Wolf tão capaz da experiência traçada como quem navega à vista desarmada, como da arte da busca da perfeição.

Alternando a efusiva vitalidade melodista de um Accident & Emergency (single de avanço de ostensiva festividade pop, revelada ainda em 2006), Get Lost ou do próprio tema-título, com episódios de implosão para piano, cordas e palavras (entre os quais o arrepiante Magpie, dueto com Marianne Faithfull ou o não menos belo Augustine), Patrick Wolf toma The Magic Position como purga pop para um ano de eventos, certo sendo que da terapia parece ter nascido um homem mais feliz que o que havíamos conhecido nos dois primeiros discos. Felicidade que não abafou o sentido de perigo que assume ao insistir numa cuidada construção de cenários e personagens, vidas ficcionadas que usa para contar os seus dias. Certo parecendo ser que, mesmo ciente de estar para já fechado num carrossel de cores vivas, um espírito mais tranquilo habita estas canções com vontade de se mostrar tão perfeitas quanto possível. E nelas encontramos nós um raro pedaço da melhor arte pop dos dias que correm.

Recordemos aqui três momentos do disco, nos seus telediscos originais:


“The Magic Position”

“Bluebells”

“Accident and Emergency”

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