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Nos 100 anos de Ella Fitzgerald

Texto: NUNO GALOPIM

O centenário de Ella Fitzgerald está a ser evocado com uma série de lançamentos antológicos e também algumas reedições em vinil. Aqui ficam algumas sugestões para recordar uma das grandes vozes do século XX…

Não faltam cognomes e grandes expressões para a referir sem ter sequer de mencionar o seu nome… First Lady of Song (ou seja, Primeira Dama da Canção) e Rainha do Jazz são dois dos mais comuns. Ella Fizgerald foi, de facto, uma das figuras maiores da história da música do século XX e é voz de absoluta referência no jazz.

Nascida em Newport News, na Virginia, a 25 de abril de 1917 e conhecendo depois um conturbado início de juventude, começou a viver bem cedo uma relação com a música ao cantar na igreja da sua congregação, numa altura em que os seus gostos começavam já a apontar para as figuras emergentes do jazz. Depois da morte da mãe a família mudou-se para Nova Iorque e aí começou por cantar na rua, estreando-se em palco em novembro de 1934 numa noite para cantores amadores no mítico Apollo Theatre. Na verdade ia apresentar-se com um número de dança (já que a ideia de ser bailarina estava entre os seus desejos), mas ao reparar noutras artistas que ali se iam mostrar optou antes por cantar. E ganhou o primeiro prémio: 25 dólares. E com ele ganhou também primeiros contratos, antes de começar a viver quilómetros de estradas, por várias cidades norte-americanas, acompanhando primeiro a Orquestra de Chick Webb e, ganhando maior visibilidade ainda ao atuar na mítica sala Savoy Ballroom (no Harlem, em Nova Iorque).

Depois de ter gravado cerca de 150 canções com a banda que fora rebatizada em 1939 como Ella and Her Famous Orchestra após a morte de Chick Webb, iniciou em 1942 uma carreira a solo que a começou por ligar à Decca, onde já antes gravara pela sua banda. Norman Granz, que produzia os espetáculos Jazz at The Philharmonic, tornou-se pouco depois o seu manager, acompanhando-a num tempo em que a mudança de rumos que a música tomava, perante o fim da era das big bands, caminhos que permitiram a Ella Fitzgerald ousar novos desafios e desenvolver a sua forma de cantar. E do esforço continuado dessa demanda surgiu a plena confirmação de um talento que, quando Granz fundou a editora Verve Records, a tomou como figura de proa do catálogo. E convenhamos que Ella respondeu a rigor, criando depois de 1955 alguns dos títulos maiores não só da sua discografia como da história do jazz vocal. Depois de 1963, após a venda da Verve à MGM e de problemas na renegociação do seu contrato, a obra de Ella Fitzgerald progrediu entre várias editoras como a Atlantic, Capitol e Reprise, até que em 1972 se reencontrou com Granz na Pablo Records, que ele então criou. Durante este percurso cantou ao lado de grandes nomes como os de Louis Armstrong, Oscar Peterson, Count Basie ou Duke Ellington.

Ao trabalho nos discos (e nos palcos) a obra de Ella Fitzgerald junta ainda incursões pelo cinema e pela televisão. Entre os papéis que desempenhou conta-se o de uma cantora de jazz em Pete Kelly’s Blues, de Jack Webb (1955) no qual contracenava com Janet Leigh e Peggy Lee.

Sofrendo de diabetes há muitos anos, Ella Fitzgerald morreu em sua casa, em Beverly Hills, em 1996, com 79 anos. Os seus arquivos estão hoje integrados no National Museum of American History (da Smithsonian, em Washington, DC) e os originais dos arranjos das suas canções estão depositados na Biblioteca do Congresso. Os livros de culinária que tinham em casa (e parece que eram mesmo muitos) foram doados a uma das bibliotecas da Universidade de Harvard.

Ao assinalarmos a passagem de 100 anos sobre o dia em que nasceu aqui ficam algumas das novas edições e reedições com as quais o mercado dos discos a está a evocar:

Com o título Ella & Louis – Complete Studio Master Takes está já disponível uma caixa com LP em vinil que recupera as as gravações conjuntas de Ella Fizgerald com Louis Armstrong e que correspondem aos álbuns Ella and Louis (de 1956), Ella and Louis Again (1957) e Porgy and Bess (1957), juntando ainda, num disco em vinil colorido, Decca Studio Master Tapes que incluo oito gravações que os dois músicos registaram em parceria entre 1946 e 1951.

Outra reedição em vinil corresponde ao álbum ao vivo Ella in Berlin: Mack The Knife, originalmente lançado em 1960 com a gravação de uma atuação histórica na cidade de Berlim na qual, ao cantar Mack The Knife, a cantora esquece momentaneamente a letra original e logo ali, naquele instante, improvisa uma outra. O alinhamento desta edição inclui também temas registados ao vivo em 1959 durante o Festival de Cannes.

Entre as novas edições antológicas destaca-se esta. Com o título 100 Songs For A Centennial trata-se de uma antologia em 4 CD lançada pela Universal (que detém os catálogos da Decca e Verve) e cruza largos anos da discografia de Ella Fizgerald e documenta diversas colaborações, desde gravações ao lado de Chick Webb e sua orquestra ou com a sua Ella Fitzgerald & Her Famous Orchestra, até parcerias com The os Mills Brothers, os The Ink Spots, os The Delta Rhythm Boys, Louis Jordan & His Tympany Five, Louis Armstrong, Count Basie, Duke Ellington, Gordon Jenkins And His Orchestra, Oscar Peterson, Paul Weston & His Orchestra ou Nelson Riddle & His Orchestra.

Para breve anuncia-se uma reedição do histórico conjunto de álbuns depois reunidos sob o título comum Sings The George And Ira Gershwin Song Book (de 1959), num lançamento que inclui um livro sobre os irmãos Gershwin.

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