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Studio 54: a festa começou há 40 anos!

Texto: NUNO GALOPIM

A mítica discoteca que fez história na noite de Nova Iorque no final dos anos 70 abriu portas há 40 anos. Pena que, até hoje, ainda só um filme com dieta de ideias tenha tentado entrar nas memórias daquele universo.

Tinha sido uma sala de espetáculos, com representações de ópera nas suas memórias dos anos 20. Depois, já na década de 40, passara a ser um estúdio de televisão operado pela CBS. Mas a 26 de abril de 1977 aquele mesmo espaço na rua 54 – no coração de Manhattan – abria as portas com pompa, rostos célebres e uma ementa de disco sound servida a partir da cabina do DJ. Com o nome Studio 54 não era de todo a primeira discoteca de Nova Iorque a celebrar a cultura disco. Mas as histórias de exuberância e excesso, a lista de convidados onde surgiam nomes de gentes da música, do cinema ou da moda e os nomes que por aqueles tempos ali se apresentaram no palco – como Grace Jones, Donna Summer, Stevie Wonder, James Brown, Gloria Gaynor, Sylvester, Amii Stewart, The Ritchie Family, Village People, Billy Ocean, Anita Ward ou Klaus Nomi – fizeram do Studio 54 um espaço mediaticamente bem mais visível do que outros por onde estas mesmas músicas tinham dado primeiros passos algum tempo antes.

Com uma política de porta bem apertada – algo que um pouco depois seria aplicado, embora sem uma ementa de famosos lá dentro, nas noites Blitz, em Londres, que viram nascer o movimento new romantic – o Studio 54 era casa onde se podiam encontrar figuras como Andy Warhol, David Bowie, Woody Allen, Iman, Liza Minnelli, Mick Jagger, Elizabeth Taylor, Jerry Hall, Debbie Harry, Grace Jones, Michael Jackson, Calvin Klein, Elton John, Tina Turner, Divine, Francesco Scavullo, Truman Capote, Freddie Mercury, Tommy Hilfiger, Mikhail Baryshnikov, Lou Reed, Al Pacino, Cher, Salvador Dalí, Robin Williams, Donald Trump, John Travolta, Karl Lagerfeld, Jackie Kennedy Onassis ou Brooke Shields. O ator Al Corley foi ali porteiro antes de fazer carreira no pequeno ecrã e nos discos.

A discoteca fechou, nessa sua forma original, com uma festa em fevereiro de 1980 na qual Diana Ross cantou para uma plateia onde estavam nomes como os de Ryan O’Neal, Farrah Fawcett, Mariel Hemingway, Richard Gere, Jack Nicholson ou Sylvester Stallone. Os seus donos cumpriram uma pena por evasão fiscal e o Studio 54 acabou pouco depois em outras mãos.



A memória do Studio 54 passa por inúmeras referências. Mas dá pena que, no cinema, a mais profunda abordagem àquele lugar tenha acontecido em Studio 54, filme de Mark Christopher que, apesar da vontade em ser historicamente correto nas representações de acontecimentos ali vividos em finais dos nos 70, por outro lado é de enorme superficialidade na construção do trio de personagens em torno dos quais a trama de ficção evolui.

O filme acompanha de perto um barman (Ryan Philippe), que poucos meses antes trabalhava numa oficina de automóveis em New Jersey até reparar que o seu corpo de modelo lhe dava acesso a outros destinos. A seu lado está um apanha-copos (Breckin Meyer), que sonha também com um lugar atrás do balcão enquanto vai roubando maços de notas para financiar o arranque de carreira da mulher. Ela (Salma Hayek ) trabalha no bengaleiro da discoteca mas sonha em ser estrela do disco

O fracasso monumental – artístico e comercial – do filme deve-se claramente ao facto de o realizador ter sido forçado a omitir sequências inteiras e a filmar inclusivamente alguns takes de novo, suavizando as ambiguidades que passavam pela história, nomeadamente uma mais profunda exploração de um triângulo amoroso entre o trio de protagonistas.

Em 2015 a Berlinale apresentou uma versão “uncut” do filme que, de facto, lhe retira o moralismo de dieta, mas continua a parecer coisa magra demais na conceção de figuras com as quais poderíamos fazer um mergulho mais abissal tanto na alma mais assombrada como também nas faces mais flamboyant de um lugar do qual tanto se falou.

A edição em DVD e Blu-ray entretanto lançada já corresponde a esta versão menos polida. Pena que a que habita a biblioteca do Netflix seja precisamente a que evoca o filme na sua versão pão sem sal de 1998…

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