Últimas notícias

Filho de pinguim… a aprender a nadar

Texto: NUNO GALOPIM

O terceiro álbum da banda fundada pelo filho do criador da Penguin Café Orchestra ainda mostra evidentes heranças dessa obra que cruzou géneros e formas musicais. Mas entre as composições de “The Imperfect Sea” há também sinais de novas demandas.

Fundada e liderada pelo guitarrista britânico Simon Jeffes, a Penguin Café Orchestra foi das mais bandas mais inspiradas que a música conheceu nos anos 70 a 90, sendo dos primeiros exemplos a promover o desabar de barreiras entre formas e géneros, cruzando elementos tanto das geografias folk como do emergente minimalismo, da pop ou de climas jazzy, para criar ideias que transcendem as ideias de tempo e lugar, se bem que numa música cheia de referências, de cores, de sabores. A morte do “maestro”, em 1997, deixou a carreira da Penguin Café Orchestra em suspenso. A banda não mais gravou, tendo-se reunido ocasionalmente para tocar. Até que, em 2009, o filho do criador do projeto, Arthur Jeffes, juntou um novo coletivo para celebrar a herança musical deixada pelo pai. Começou por lhe chamar Music From The Penguin Café. Reduziu depois o nome para, simplesmente, Penguin Café. E, em 2011, editou um primeiro disco com a nova formação, notando-se nas faixas de A Matter of Live… uma evidente vontade em continuar os caminhos que a Penguin Café Orchestra havia trilhado. Depois do mais discreto The Red Book, de 2014, eis que entra agora em cena um terceiro disco.

The Imperfect Sea é, tal como o álbum de 2014, um álbum que procura por um lado não perder as marcas de herança da Penguin Café Orchestra (e o tema de abertura, Ricercar, evoca inclusivamente sonoridades do clássico Perpetuum Mobile). Depois o alinhamento procura desbravar terrenos novos, firme sempre nessa noção de raiz bem definida, num trabalho que valoriza sobretudo a presença do piano (interpretado pelo próprio Arthur Jeffes, que se destaca em Now Nothing) e das cordas, aproximando-se quase dos universos da música orquestral para cinema em Rescue. É porém nos momentos que a genética da Penguin Café Orchestra mais se nota – como sucede ao som de Franz Schubert – que nascem os momentos mais sedutores do disco. Este é, mesmo assim, dos três álbuns desta nova banda Penguin Café, aquele que mais consegue desenhar sugestões de nova vida e de novas demandas. O processo não contudo é fácil. Sobretudo dada a herança que carrega.

“The Imperfect Sea”, da Penguin Café, é uma edição em LP e CD da Erased Tapes, também disponível nas plataformas digitais.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: