De Berlim para Nova Iorque
Texto: NUNO GALOPIM
Com origens cubanas e norte-americanas, e uma história de vida que a vez caminhar pelos últimos anos entre Berlim e Nova Iorque, Delia Gonzalez apresenta no seu segundo álbum em nome próprio um conjunto de quadros instrumentais que refletem sobre o processo de regresso da Alemanha e consequente inicio de uma nova etapa de vida do outro lado do Atlântico. Ao falar do seu reencontro com Nova Iorque explicou que sentiu que passara por experiências que comparou à estranheza do que, em tempos, muitos terão vivido durante a descoberta do faroeste. E são essas sensações, que a música assimila e transforma em paisagens com a qualidade de música para cinema, o que escutamos em Horse Follows Darkness, um álbum com pouco mais de meia hora de duração, mas feito de um concentrado de acontecimentos.
Tal como no anterior In Rememberance o disco destaca a presença do piano, mas junta a essa voz protagonista outras presenças e discursos, integrando várias linguagens mais próximas da cultura pop/rock alternativa e de caminhos diversos da música de dança (embora sem ter nunca a pista como destino em vista). E se em Hidden Song o fulgor (nunca estridente) das guitarras assinalam todo um quadro de referências que associamos à cultura pop/rock nova-iorquina, já Roulette define outros episódios de exploração com base num fraseado para piano que evoca as escolas minimalistas. Os cinco percursos que o álbum revela são todos eles instrumentalmente versáteis, abrindo cada um uma frente de descoberta… E assim se faz esta viagem de reencontro que afinal tem tanto de estranheza como de familiaridade, e que termina em Vesuvius, num terreno que evoca as explorações eletrónicas de Giorgio Moroder na segunda metade dos anos 70. Entre a Alemanha e Nova Iorque, precisamente…
“Horse Follows Darkness”, de Delia Gonzalez, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais, num lançamento da DFA Records. ★★★


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