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O regresso de Três Tristes Tigres a Lisboa

Texto: NUNO GALOPIM

Uma das bandas mais criativas da história pop portuguesa dos anos 90 volta a juntar-se em palco, desta vez em Lisboa. O álbum “Guia Epiritual” (de 1996) e temas de “Comum” (de 1998) fazem parte do alinhamento que espera quem hoje de noite passar pelo Lux Frágil.

Esta é uma história fulcral na narrativa do que foi a cultura pop portuguesa dos noventas. Juntam-se em 1992 acentuando um trabalho conjunto que a ex-Ban Ana Deus vinha já a desenvolver no teatro com a poesia de Regina Guimarães, a elas juntando-se Paula Sousa, vinda dos Repórter Estrábico. Surgiam as Três Tristes Tigres que, um ano depois, se apresentavam em disco com o álbum de estreia Partes Sensíveis que revelava uma linguagem pop muito particular e de cujo alinhamento o single O Mundo a Meus Pés chegou aos ouvidos de muito boa gente. Paula afastou-se pouco depois, entrando então para a banda Alexandre Soares (figura de carreira já feita em várias frentes e com um papel determinante nos primeiros discos dos GNR). Data de então a formação que descreveria o resto do ciclo de vida do grupo que hoje, semanas após um encontro no Teatro Rivoli, no Porto, se reencontra com os palcos agora para, em Lisboa, viver por uma noite o alinhamento completo do seu segundo álbum, juntando ainda algumas peças do terceiro.

Editado em 1996 Guia Espiritual é não só a obra prima do grupo como um dos títulos mais significativos de toda a discografia pop/rock portuguesa dos noventas, cruzando um olhar criativo sobre a canção (tanto pela música como pela palavra) com uma atitude de desafio e de sede exploratório que se aprofundaria mais ainda no álbum seguinte Comum, de 1998, que encerrou então uma obra que, assim, se fez ciclo completo dentro de uma mesma década. A presença das eletrónicas, de ruídos e samples, a coexistência da experimentação com o formato da canção (mesmo que por vezes desconstruído) teve aqui exemplos maiores de inspiração. Nem sempre a exploração de ideias, palavas e formas resulta tão bem. E entre Guia Espiritual e Comum temos mesmo alguns dos melhores exemplo da soma dessas demandas no quadro da cultura pop nascida entre nós.

O reencontro em palco, hoje à noite, pelas 23.00, no Lux Frágil, junta a Ana Deus e a Alexandre Soares os seus parceiros habituais. São eles João Pedro Coimbra (bateria), Quico Serrano (teclas e programações) e Rui Martelo (baixo).

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