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Nem só de nostalgia vivem os veteranos

Texto: NUNO GALOPIM

O quinto álbum que os Blondie lançam depois da sua reunião no final dos anos 90 pode não juntar nenhuma peça maior ao seu catálogo. Parte do seu código genético, de um saber na construção de canções e da assinatura vocal de Debbie Harry para mostrar que não vivem apenas da gestão do seu ‘best of’.

Poucos regressos após longos hiatos são consequentes. E na verdade o reencontro dos Blondie com os palcos e os discos tem sido dos raros exemplos em que o trabalho de criação de novas canções não resvalou nunca para o plano do medíocre. Feitas as contas, a banda tem já cinco álbuns pós-reunião, apenas menos um do que aqueles que registara na sua primeira vida feita entre os setentas e a alvorada dos oitentas. Na verdade só com Maria, o single de 1999 que anunciou a chegada de No Exit e a entrada de novos temas nos alinhamentos dos concertos, os Blondie somaram um novo êxito ao seu catálogo, tendo os álbuns lançados desde então servido para alimentar regularmente com novas canções as digressões que, assim, evitam ser mero best of em regime de nostalgia.

Pollinator não é muito diferente do que tem sido o percurso dos Blondie no século XXI, procurando encontrar caminhos de diálogo entre o presente e a herança new wave que a memória dos seus discos históricos fixaram no panteão das glórias pop de finais dos setentas. Não há neste novo disco a ousadia que transbordava das faixas de Ghosts of Download, álbum de inéditos que, em 2014, era servido como extra de uma antologia de êxitos (e que na verdade é mesmo o mais interessante disco dos Blondie depois de Autoamerican, de 1980). Pollinator joga mais no seguro, mostrando como há aqui ainda um saber na construção de canções, na valorização do refrão, no jogo entre guitarras e eletrónicas que sabe, contudo, que é depois à voz de Debbie Harry que cabe a cereja sobre o bolo.

Não se repete, nem de longe, o que em tempos se escutava num Parallel Lines. Mas mesmo sem inscrever algo de memorável num percurso já veterano, o novo disco tem ao menos a vontade de dizer que, sendo aquele o seu som, há novos aperitivos para saborear quando chegar a hora de novo reencontro em palco. Não se confunda isto com uma prova de vida. Mas sim uma afirmação de que, mesmo sendo no passado que residem os entusiasmos de quem os pode querer ver, não deixam que a nostalgia se entranhe no seu trabalho como jogo seguro. Além disso Pollinator, mesmo sem acrescentar nada de novo a esta discografia, não envergonha ninguém.

“Pollinator”, dos Blondie, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais numa edição da BMG ★★★

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