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Underwood na era Trump

TEXTO: NUNO CARDOSO

“House Of Cards” está de regresso com a quinta temporada na Netflix e no TV Séries, com a qualidade, inteligência e dinâmica de sempre, mas este ano num paralelo ainda maior com a realidade.

O mundo, e a forma como o vemos, é hoje certamente diferente daquele que era há 15 meses, quando arrancou a quarta temporada de House Of Cards, o drama político da Netflix em forma de jogo de xadrez sem regras, onde vale tudo, e que nos apresentou o impiedoso e imoral Frank Underwood, o presidente norte-americano que adoramos odiar. Ou odiamos adorar.

Alguns críticos questionavam a relevância da quinta temporada da série, que se estreou esta semana com 13 novos episódios, já disponíveis na plataforma de streaming e às quartas-feiras no TV Séries, quando temos um polarizador Donald Trump envolvido em polémicas dia sim dia não. “Esperem para ver”, antecipou aos jornalistas o ator e pilar da série, Kevin Spacey.

Na verdade, a nova temporada torna House Of Cards, num mundo que podia ser o nosso, ainda mais colado à realidade do que nunca: uma nova eleição presidencial, os ataques de um grupo terrorista à la ISIS e o medo por este instalado, manifestações às portas da Casa Branca (e não só), o patriotismo e as questões da imigração, ou até a conflituosa relação do presidente com os jornalistas dão o mote para a continuação da trama. Déjà vu?

Ao assistir aos primeiros cinco episódios da nova temporada, é de louvar que House Of Cards continue a ser House Of Cards. E neste caso, isto é um elogio. Cinco anos depois de se ter estreado, num mercado televisivo assoberbado com oferta e onde parece que já tudo foi feito, a série norte-americana não dá espaço ao baixar de braços e mantém não só a sua já premiada qualidade como a inteligência e dinâmica narrativas. Especialmente se pensarmos que esta é a primeira temporada sem a presença do criador da trama, Beau Willimon, agora substituído pelos até aqui produtores executivos Melissa James Gibson e Frank Pugliese.

Alguns críticos têm escrito que esta é uma das melhores temporadas da série e percebe-se porquê. Nem que não seja pela forma como está a ser desenvolvida a relação entre Frank e Claire Underwood (com as irrepreensíveis performances de Kevin Spacey e Robin Wright, como seria de esperar), parceiros no crime e protagonistas de um pêndulo de poder que começa, claramente, a mudar.

“Não existe elegância na política moderna. É, maioritariamente, um inferno”, diz Frank Underwood num dos novos episódios. E poucos como ele nos têm mostrado isso mesmo na ficção televisiva.

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