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Pelos mares interiores de Stephan Micus

Texto: NUNO GALOPIM

O novo álbum de Stephan Micus chama a presença de instrumentos de várias famílias e de proveniências diferentes para sugerir percursos por mares interiores que são mais expressões de estados de alma do que retratos com geografia concreta.

Foto: René Dalpra / ECM Records

Vai já em número de 22 o volume de discos que o alemão Stephan Micus editou pela ECM, editora com a qual encetou uma colaboração nos anos 80 e pela qual tem lançado toda a sua obra em disco desde então (incluindo reedições de alguns títulos anteriores). Homem atento aos sons do mundo, gosta de convocar à sua música referências, sonoridades e instrumentos, retirando-os das suas geografias de origem para, depois, os projetar num espaço de ficção, sugerindo mundos, paisagens e vozes que traduzem um outro possível sentido de uma ideia de cultura global: não pela busca do que é comum e homogéneo, mas pelo conciliar, num espaço só, de elementos que, captados nos vários cantos do mundo, acabam por expressar assim marcas da sua diversidade num corpo comum que o trabalho como compositor e instrumentista define como ponto de partida.

Sendo um dos raros músicos da ECM que trabalha ele mesmo a produção, e sendo frequente vê-lo a tocar todos os instrumentos nos discos que grava, Stephan Micus é uma figura de personalidade vincada, traduzindo os seus discos uma expressão direta das suas visões. E nesse sentido Inland Sea é mais um capítulo de uma história ainda em construção. A ideia a que o título alude não procura em concreto localizar-nos em nenhum dos grandes mares interiores que conhecemos no globo terrestre. E, de resto, ao convocar a este corpo de sonoridades que vão desde uma nyckelharpa sueca (uma parente do violino, embora com uma configuração invulgar) ao balanzikom, instrumento raro que se encontra num vale entre o Tadjiquistão e o Afeganistão, passando ainda pela flauta japonesa shakuhachi ou o guemberi marroquino, todos eles tocados muito ao seu jeito (não procurando por isso os caminhos “tradicionais” pelos quais os escutamos nas regiões de onde são originários), Stpehan Micus uma vez mais volta a procurar os caminhos da sua própria geografia. O mar interior de que nos fala é mais um estado de alma do que um lugar de geografia física. Mas, e como Inland Sea nos sugere, tem mundos lá dentro que sabe bem descobrir.

“Inland Sea”, de Stephen Micus, vai ser editado em CD pela ECM a 16 de junho.

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