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Tudo muda em “Orange Is the New Black”

Texto: NUNO CARDOSO

Na sua quinta temporada, a série da Netflix finta a monotonia com um “twist” que mostra a prisão feminina mais popular da televisão como nunca a vimos.

É, possivelmente, a temporada mais sui generis de Orange Is the New Black. E ainda que, no seu sentido geral, a diferença tanto possa ser sinónimo de coisas boas ou más, é, no mínimo, louvável de notar que ao quinto ano de existência uma série de televisão consiga surpreender com um verdadeiro twist.

A prisão feminina de Litchfield, o cenário primordial da trama da série da Netflix, que regressou à plataforma de streaming na passada sexta-feira com 13 novos capítulos, está de volta como nunca a vimos. O motim levado a cabo pelas reclusas e iniciado no final da quarta temporada, na sequência da sua revolta contra as condições em que vivem e a morte de uma das presidiárias (Poussey, interpretada por Samira Wiley) pelas mãos de um agente, é agora o pilar temático dos novos episódios, numa caótica inversão de poderes que se transforma numa lição ética e moral, onde quase tudo é permitido.

É claro que alguns dos ingredientes-base da série vencedora de quatro prémios Emmy, como a violência, a religião, o medo, a vingança ou o preconceito em torno de estereótipos continuam aqui presentes (e outros novos, como a não inesperada referência a Donald Trump), o facto de a quinta temporada de Orange Is the New Black se estender ao longo de apenas três dias dá-lhe uma nova dinâmica narrativa.

Apesar de se tornar mais séria e sombria nos últimos episódios (o que já vem sendo habitual na série criada por Jenji Kohan), a nova temporada é talvez aquela em que o sentido de humor é mais certeiro, nomeadamente através de duas duplas, as jovens latinas Maritza e Flaca (Diane Guerrero e Jackie Cruz) e as viciadas em metanfetaminas Angie e Leanne (Julie Lake e Emma Myles).

Ainda assim, e numa série em que a galardoada atriz Uzo Aduba tem roubado atenções na pele de Suzanne (ou Crazy Eyes, como é conhecida em Litchfield) desde o início, a quinta temporada mostra Danielle Brooks a fazer-lhe frente com a sua Taystee, numa das melhores performances de Orange Is the New Black, uma série que tem, cada vez mais, relegado aquela que já foi considerada a sua principal personagem, Piper (interpretada por Taylor Schilling) para segundo plano. E a nova temporada prova isso mais do que nunca.

De resto, o curto espaço temporal em que decorrem os 13 episódios é colmatado com vários flashbacks em torno de algumas das suas personagens, algo que já vinha sendo explorado, e o que nos leva a compreender melhor o passado, e consequentemente o presente, destas 400 mulheres. A ideia é eficaz, nem que seja para quebrar a rotina das paredes e dos uniformes de Litchfield, mas talvez fosse interessante apostar mais na vida depois da prisão e na reabilitação, algo que só tem sido feito com Diaz (Elizabeth Rodriguez) e uma nova personagem nesta quinta temporada.

À semelhança do passado, a nova Orange Is the New Black termina em suspense com um cliffhanger e existe, para já, uma renovação até 2019. Mas a mensagem subliminar presente na última cena desta temporada daria um final satisfatório para a caminhada da série.

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