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“Music For The Masses”: o título que adivinhou o futuro dos Depeche Mode

Texto: NUNO GALOPIM

Lançado em 1987 o álbum “Music For The Masses” assinala a maioridade de uma visão para a canção pop eletrónica dos Depeche Mode numa altura em que o grupo conquista o domínio das artes do palco… E o disco, de facto, elevou-os a um outro patamar de popularidade mundial.

O título era, como reza a mitologia, uma paródia… Um álbum de música para as massas com um alinhamento que, na verdade, julgavam destinado a um público de nicho… Mas a verdade é que tudo se encaminhava para que, após uma etapa de descoberta de uma identidade autoral, de afinação de uma abordagem sonora, de aprendizagem das artes do palco e, desde que ensaiaram uma colaboração com o fotógrafo Anton Corbijn, com uma imagem finalmente capaz de expressar a sua personalidade artística, o sucessor de Black Celebration, de 1986, estava mesmo destinado a ser um álbum para… as massas.

Os momentos difíceis que internamente tinham vivido durante a conflituosa gravação de Black Celebration terão sido a razão pela qual Daniel Miller se afastou do lugar de produtor, cedendo a vez a David Bascombe (que nos tempos mais recentes havia trabalhado com os Tears For Fears e It’s Immaterial), que dividiu os créditos com a própria banda.

Apesar de menos sombrio que as tonalidades exploradas em Black Celebration, Music For The Masses é um claro descendente do trabalho ali encetado, definindo, juntamente ainda com o sucessor Violator (1990) um tríptico que corresponde à maturidade da visão pop eletrónica dos Depeche Mode… Depois, com Songs Of Faith and Devotion, a demanda rumaria a outras contaminações, muitas delas chegadas de vivências americanas. E é curiosamente durante a Music For The Masses Tour, a digressão que acompanha Music For The Masses, que essa relação dos elementos dos Depeche Mode com a América se aprofunda. Uma relação que seria documentada num filme de D.A. Pennebaker e pelo primeiro álbum ao vivo da banda. O facto de terem gravado uma versão de Route 66 (um blues de 1946 de Bobby Troup popularizado por uma leitura pelos Rolling Stones), que surge no lado B de Behind The Wheel, seria uma das primeiras marcas musicalmente evidentes dessas novas experiências então em construção.


Strangelove, o single de apresentação, lançou o tom que, depois, seria sublinhado pelos seguintes Never Let Me Down Again e Behind The Wheel, canções que traduzem uma visão pop sonicamente bem definida, de produção irrepreensível e com uma capacidade em seduzir a vontade de dançar, algo que as remisturas então apresentadas depois valorizaram mais ainda.
Ao mesmo tempo que há a sugestão de uma dimensão mais íntima em peças delicadas e sombrias como The Things You Said ou I Want You Now encontramos em Sacred sinais de uma vontade em explorar temáticas onde se cruzam o amor, o corpo e a religiosidade. De certa forma há por isso em Music For The Masses, mais que o destino final de uma demanda, um espaço de lançamento de caminhos pelos quais nasceriam algumas das mais importantes composições de Martin Gore nos anos 90.

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