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Dez canções nos 75 anos de Paul McCartney

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

No dia em que se assinala o 75º aniversário de Paul McCartney iniciamos a apresentação de uma lista de dez grandes canções da sua obra pós-Beatles…

Vamos dispensar os adjetivos e os elogios mais-do-mesmo, OK? Chama-se Paul McCartney. Foi um dos fab four. E o primeiro a tornar pública a sua saúda dos Beatles, anunciando em 1970 a estreia de uma nova etapa que faz da sua discografia a mais vasta e diversificada dos quatro antigos elementos da banda.

Numa altura em que se assinalam os 75 anos sobre o nascimento de Paul McCartney vamos aqui recordar dez canções da sua carreira pós-Beatles. As escolhas como sempre são pessoais… E, como manda o significado da palavra, naturalmente subjetivas.

“Pipes of Peace”
(1983)

O reencontro em estúdio de Paul McCartney com o produtor George Martin – que acompanhara praticamente toda a discografia dos Beatles – resultou numa sucessão de discos que, depois de uma etapa vivida nos Wings, faz do novo arranque da carreira a solo do músico um caso sério de popularidade. Depois do magnífico Tug Of War de 1982 um segundo álbum surgiu nos escaparates das lojas no ano seguinte juntando uma série de temas gravados ainda nessas mesmas sessões e acrescentando alguns novos. Uma nova parceria com Michael Jackson (Say Say Say) serviu de aperitivo. Mas como segundo single o álbum teve o seu tema-título, provindo precisamente de uma das novas canções. O tema, Pipes of Peace foi acompanhado por um teledisco cinematográfico que nos transportava às trincheiras nos tempos da I Guerra Mundial.

“Uncle Albert”/ “Admiral Halsey”
(1971)

O álbum de estreia a solo de Paul McCartney não gerara quaisquer singles. A sua estreia a solo no formato a 45 rotações fez-se na verdade já em 1971 com Another Day, tema criado durante as sessões que geraram aquele que seria o seu segundo álbum. Editado ainda nesse mesmo ano Ram foi contudo assinado em parceria entre Paul e Linda McCartney e revelou um dos títulos mais marcantes de toda a sua discografia pós-Beatles. O single de apresentação do álbum foi coisa gourmet. No lado A surgia Uncle Albert / Admiral Halsey, uma composição feita da junção de fragmentos que lembra formatos e técnicas recentemente usadas no álbum Abbey Road. Há, de resto, grandes afinidades entre esta canção e essas derradeiras gravações dos fab four. No lado B o mesmo single incluía o tema Too Many People, outro dos momentos maiores do alinhamento de Ram.

“Band on The Run”, com os Wings
(1973)

Band On The Run teve gestação cheia de acontecimentos e chegou na hora certa. McCartney tinha somado mais um êxito à sua discografia com Live and Let Die, para uma banda sonora ao serviço de James Bond. Preparando novo disco com os Wings, projectou um sonho de gravar em África, com músicos africanos… As coisas não correram como o esperado em Lagos (na Nigéria), e acabaram por terminar o disco em Londres. As nove canções encontram uma impressionante unidade entre uma relativa variedade de caminhos tomados, da cativante complexidade formal do aparentemente simples Picasso’s Last Words à face mais rock’n’roll de um Jet, sem esquecer o viço pop do tema título. Que é aquele que hoje recordamos.

“Live and Let Die”
(1973)

A criação de uma canção para cada novo filme da série James Bond era já um acontecimento de grande dimensão na cultura pop quando, em 1973, para aquele que foi o primeiro “episódio” com Roger Moore a vestir a pele do agente 007, Paul McCartney foi convidado a criar o tema que deveria acompanhar o genérico. Canção de grande fulgor, criando um diálogo entre as linguagens do rock e uma orquestração assinada por George Martin (que compôs a restante banda sonora do filme), Live and Let Die surgiu em disco numa gravação de Paul McCartney com os Wings e gerou um momento de grande sucesso, tornando-se então na canção para James Bond com melhores resultados até então, alcançando o número 2 no Reino Unido. Ao longo dos anos foram surgindo depois várias versões desta canção, a mais célebre de todas apresentada em 1991 pelos Guns’N’Roses.

“Temporary Secretary”
(1980)

Depois de iniciado um novo caminho a solo em 1970 com um primeiro álbum a solo, Paul McCartney deu continuidade à sua vida pós-Beatles com um disco assinado em parceria com Linda, a sua mulher, antes de viver o resto dos setentas a bordo de uma nova banda: os Wings. Em 1980 regressou aos discos em nome próprio apresentando-se com McCartney II, um álbum desafiante, atento a novas tendências e possibilidades instrumentais. Temporary Secretary foi o terceiro single extraído do alinhamento deste disco e resultou num estrondoso flop. A canção, um mimo experimental de pop eletrónica – que precede primeiros êxitos maiores dos Human League ou Soft Cell – revela um sentido de desafio que muitas vezes não é reconhecido na obra de McCartney mas que, na verdade, anda por lá… Que o diga esta canção que, com o tempo, se transformou num clássico de culto e, recentemente, regressou aos alinhamentos dos concertos do músico. Em 1980 Temporary Secretary surgiu apenas num formato de máxi-single e sem teledisco.

“Take it Away”
(1982)

Em 1981 McCartney regressa a estúdio para, com George Martin dar fôlego à criação de um novo disco. Tug of War, que seria editado em abril de 1982, não esconde as heranças mais clássicas de McCartney e revela, numa espantosa coleção de canções pop, um dos momentos mais inspirados da sua carreira a solo. O alinhamento é uma experiência de horizontes abertos tanto à herança da grande balada orquestrada (numa linha que vem do tempo dos Beatles) como à tradição de uma escrita mais teatral, como não fecha a porta à curiosidade pelas electrónicas ou a contaminações mais recentes como o funk. O disco gerou três singles na mouche com Tug of War, Ebony and Ivory (um dueto com Stevie Wonder) e Take it Away. No teledisco que acompanhou este último o ator John Hurt interpretava a figura de um empresário, um pouco ao jeito de um homem educado e elegante como o era Brian Epstein.

“Say Say Say”, dueto com Michael Jackson
(1983)

Entre 1982 e 1983, precisamente o tempo em que Thriller é editado e se transforma num colosso com expressão mundial, Michael Jackson cruza – discograficamente falando – por duas vezes o seu caminho com o de Paul McCartney. A primeira colaboração surge em The Girl Is Mine, dueto registado sob produção de Quincy Jones e de Michael Jackson e que na verdade representa o primeiro aperitivo de Thriller, sendo editado em single em outubro de 1982, antes mesmo de Billie Jean. Um ano depois os dois estão novamente juntos em single, desta vez com George Martin na produção, em sessões contemporâneas da gravação de Tug of War mas que viram a luz do dia em tempo de apresentação do álbum seguinte do ex-beatle, Pipes of Peace, em cujo alinhamento depois seria incluído. Say Say Say era a canção e gerou um momento de sucesso planetário para os dois músicos aqui reunidos. Além destes dois singles as colaborações e afinidades entre os dois não se esgotaram ali. Um outro dueto,The Man, surgia ainda no alinhamento de Pipes of Peace. E vale a pela lembra que, ainda antes, em Off the Wall (1979), Michael gravara Girlfriend, de McCartney.

“Put it There”
(1989)

Editado em 1989 o álbum Flowers In The Dirt é hoje reconhecido como um dos títulos mais marcantes da obra a solo de Paul McCartney. O impacte que o disco criou traduziu-se também numa sucessão de singles que foram sendo extraídos do seu alinhamento. E assim foram surgindo My Brave Face, This One ou Figure Of Eight até que, já em 1990, e para fechar o ciclo, um quarto 45 rotações chegou às lojas, apresentando uma canção delicada e de recorte classicista no qual se celebrava o valor da amizade. Inspirada por uma expressão que Paul lembrava do seu pai, Put It There teve talvez uma vida relativamente discreta face à dos restantes singles do mesmo álbum. Mas nem só dos êxitos globais deve viver aquilo que memória gosta de revisitar, certo? Curiosamente, em 2005 o título da canção acabaria por dar o nome a um documentário sobre a criação deste álbum de 1989.

“Jenny Wren”
(2005)

Um dos melhores discos de estúdio que Paul McCartney editou depois da virahem do século teve por título Chaos and Creation in the Backyard e contou na produção com uma figura de referência do universo pop/rock de então: Nigel Godrich, que ganhara visibilidade no trabalho com os Radiohead e, entretanto, começara a trabalhar com Beck, os Divine Comedy e Air. O disco representou na verdade o primeiro no qual McCartney não assumia a produção desde os tempos de Give My Regards To Broad Street, assim como fazia parelha com o que sucedera nos clássicos McCartney (1970) e McCartney II (1980) no facto de todos os instrumentos serem por ele tocados. Depois de ter escolhido o mais pungente Fine Line como single de apresençação, coube ao acústico Jenny Wren (com título inspirado na personagem de Dickens) ser o segundo single extraído deste álbum, mostrando uma vez mais a incrível solidez das aparentemente mais frágeis e simples canções de Paul McCartney.

“Queenie Eye” (2013)
Entre memórias anteriores à formação dos Beatles e acontecimentos mais recentes nasceram as canções de New, álbum de 2013 que teve Giles Martin como produtor executivo e que contou, entre outros, com a colaboração de Mark Ronson, Ethan Johns ou Paul Epworth, igualmente em funções de produção. Depois de o tema-título ter sido escolhido como cartão de visita Queenie Eye foi o segundo single extraído do álbum e para o seu lançamento foi criado um teledisco que devoleu McCartney a um lugar cheio de memórias (o estúdio 2 de Abbey Road) que desta vez se vai enchendo de figuras como Johnny Depp,Jeremy Irons, Chris Pine, Sean Penn, Meryl Streep, Tracey Ullman, Kate Moss, Gary Barlow ou Tom Ford, entre outros.

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1 Comment on Dez canções nos 75 anos de Paul McCartney

  1. Mas que grata surpresa. Quem diria que o McCartney também podia ser “vanguardista” em plenos 80’s. Boa dica!

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