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Boas descobertas para fazer numa revistaria

Texto: NUNO GALOPIM

Chama-se Under the Cover, é vizinha dos jardins da Fundação Gulbenkian e tem a melhor oferta de revistas contemporâneas da cidade de Lisboa… Quem já a visitou sabe do que se trata. Quem ainda não a conhece nem imagina o que tem estado a perder…

Diz-se que o futuro é digital. Porém, ao entrar na Under the Cover, uma loja de revistas na Rua Marquês Sá da Bandeira, e que tem mesmo pela frente os jardins da Fundação Gulbenkian, a ideia que fica é a de que, mesmo que o rumo da informação mainstream esteja eventualmente a caminhar para uma desmaterialização, a verdade é que há um universo de publicações que justificam, mais do que nunca, que os velhos hábitos de folhear o papel nos coloquem perante novos prazeres de leitura. Criado em dezembro de 2015 por Luís Cunha e Arturas Slidziauskas, o projeto Under the Cover (que é uma loja na qual podemos entrar e também um site que aceita visitas à distância) surgiu motivado “por um gosto pessoal e um desejo de criar um negócio próprio que poderia satisfazer este gosto pela leitura de revistas contemporâneas”. Apesar de a oferta que esta loja nos propõe “representar maioritariamente o mundo do design, literatura e fotografia, da arte e da cultura”, os dois proprietários têm na verdade formações muito distintas destas áreas. Luís Cunha “terminou os estudos e trabalhou na área da Medicina Veterinária” e Arturas Slidziauskas está a concluir “a sua formação específica em Medicina Humana”. Mas, acreditem, a melhor oferta de revistas em Lisboa está nas mãos deles os dois…

À Máquina de Escrever explicam que a selecção dos títulos que apresentam na loja está baseada em “vários fatores”, tais como “a qualidade física do produto (layout, design, papel, apresentação)” e a “dos conteúdos, tendo sempre em atenção a diversidade das temáticas”. Sempre que possível fazem “esta avaliação através de uma amostra ou de uma cópia física”. Por vezes, não tendo acesso a uma amostra do produto, confessam que têm “de confiar” na sua “intuição e nas sugestões dos clientes”. É, como nos explicam, “um processo” com o qual vão “aprendendo” à medida que o executam.

Os produtos da sua “revistaria” (como lhe chamam) “abrangem diversos temas, desde a arte à moda, fotografia, gastronomia, viagem, arquitetura, design, cultura e sociedade, até à literatura e música”. Os clientes da loja representam um largo espetro das faixa etárias, já que, “no portefólio estão revistas que podem satisfazer os interesses de um adolescente inconformado ao mesmo tempo que os de quem procura algo com conteúdo mais intelectual e cultural e que convida ao slow reading”.

Hoje em dia, defendem, “o formato digital é muito dinâmico e mutável” e “isso pode ter os seus benefícios mas também pode significar que a rapidez da informação se está a sobrepor à qualidade com que é transmitida”. As revistas contemporâneas “conseguem ter conteúdos que são reflexo da sociedade atual” mas ao mesmo tempo tornam-se elas mesmas “objetos intemporais”.

E, assim, todos os meses são “surpreendidos com novas publicações de excelente qualidade”… Ao pedirmos exemplos, Luís e Arturas destacam “a primeira edição da Cedar, uma revista de estilo de vida e viagem inspirada pelos espaços verdes e as suas histórias, a Food &…, uma zine que nos propõe um olhar inesperado e humorístico sobre gastronomia (e nesta presente edição o tema é desporto, ou seja, Food & Sports, portanto), e também a Woven, uma revista americana dedicada aos artistas e artesãos, aos criadores e a todos aqueles que arriscam, relatando as suas histórias de sucesso e aprendizagem”.

Abertos à descoberta, os dois proprietários levam “muito a sério” as sugestões dos clientes “e alguns títulos passam mesmo a fazer parte do portefólio por causa disso”. Cria-se assim “uma ligação especial de partilha de conhecimentos que tem tudo a ver com o modelo de proximidade e de curadoria independente” que pretendem manter.

E de onde chegam estas revistas? A língua inglesa, explicam, é uma das “mais conhecidas”, mas nem todas as revistas que encontramos na Under the Cover “têm origem em países anglo-saxónicos”. No mundo das publicações independentes, “em que o número de cópias impressas é muitas vezes limitado e a língua de origem é pouco disseminada (mandarim, letão, alemão, etc…), a escolha de uma língua internacionalmente reconhecida permite ao editor da revista chegar aos quatro cantos do mundo”, reconhecem. No entanto, “não é raro” encontrar nas prateleiras da loja “uma revista escrita em duas ou até três línguas”.

A Under the Cover fica no número 88 da Rua Marquês Sá da Bandeira, em Lisboa.

E aqui podem consultar o site da loja e ver as revistas que ali podemos encontrar.

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