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Apresentando Terence Trent d’Arby… há 30 anos

Texto: NUNO GALOPIM

Foi editado em julho de 1987, há precisamente 30 anos. “Introducing the Hardline According to Terence Trent D’Arby” desenhava pontes entre os universos pop/rock e os do R&B e foi uma das grandes revelações do seu tempo.

Prince estava no auge da sua visão criativa, lançando Sign ‘O’The Times. Michael Jackson preparava, para o fim do verão, a chegada do (muito aguardado) sucessor de Thriller, editado cinco anos antes e entretanto transformado já no caso maior de sucesso da história da música gravada. E eis senão quando entra em cena um jovem de 25 anos, natural de Manhattan e depois criado na Florida, que se apresenta ao som de um álbum que parecia saber juntar, tal como o faziam já esses outros dois colossos acima referidos, os mundos da pop aos da soul e do funk, propondo uma visão contemporânea para uma pop urbana pela qual se cruzavam ecos de memórias clássicas que convocavam heranças de Sam Cooke, James Brown ou Stevie Wonder.

Jovem promessa do boxe nos dias da sua adolescência, este filho de uma cantora de gospel, criado em ambiente religioso, optara por estudar na universidade, trocando pouco depois os livros por uma carreira militar que correu menos bem do que o esperado. Foi contudo a sua colocação numa base na Alemanha que o conduziu a primeiras experiências musicais com uma banda que ali reuniu, acabando pouco depois em Londres, onde desenhou uma mais firme aposta na música que o encaminhou no rumo que o levaria, em 1987, a tornar-se numa das mais retumbantes estreias do ano.

Confirmado o apelo sugerido pelos singles de estreia If You Let Me Stay e Wishing Well, e apoiado por um trabalho de imagem que definia em si uma silhueta muito peculiar, teve em Introducing The Hardline Acording To Terence Trent D’Arby um álbum de estreia que gerou entusiasmos em várias frentes e se transformou inclusivamente num dos grandes casos de popularidade do ano, tanto pelo apelo de cruzamento entre a pop, o rock e o R&B dessas duas canções, as dinâmicas funk de Dance Little Sister ou a elegância da balada Sign Your Name, os quatro singles de maior visibilidade daqui extraídos. Com menos impacte, Rain foi ainda editado como quinto single em alguns mercados.

A inexistência de uma dieta de ego no discurso do músico fez com que chegasse a comparar a dimensão deste seu disco de estreia ao Sgt. Pepper’s dos Beatles, que então celebrava 20 anos de vida… Apesar de nos ter dado outros momentos ainda bem interessantes em álbuns seguintes – como sobretudo Neither Fish nor Flesh (1992) ou Symphony or Damn (1995) – na verdade o tempo acabou por não sorrir do melhor modo a Terence Trent d’Arby. tanto que, em 2001, o músico deixou morrer essa “persona”, tentando depois reinventar-se com outro nome. A verdade é que, ao passo que podemos celebrar com entusiasmo os 30 anos da edição de Introducing the Hardline According to Terence Trent D’Arby, já de Sananda Maitreya poucos terão ouvido falar…



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