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Dez canções que se escutaram no verão de 1987

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

Trinta anos depois lembramos uma lista com dez canções que fizeram a banda sonora do verão de 1987.

O verão de 1987 viveu em contagem decrescente para a chegada do sucessor de Thriller de Michael Jackson e para o surgimento na televisão de uma série que reativou o universo de Star Trek.

Pelas pistas de dança a house começava a cativar atenções, ao mesmo tempo que, no outro lado do Atlântico, o hip-hop estava igualmente a ganhar outra visibilidade.

Foi mesmo assim essencialmente em terreno pop que se fizeram alguns dos temas que mais se escutaram na rádio nos meses quentes de 1987. E dez deles vamos aqui lembrar, um a um…

Pet Shop Boys “It’s a Sin”
O primeiro single daquele que seria o segundo álbum dos Pet Shop Boys confirmou definitivamente que não estávamos perante uma banda que viveria dos ecos de um só êxito maior (de West End Girls, em concreto). It’s a Sin teve impacte global, demonstrou evidentes sinais de evolução estética na busca de diálogos entre a pop e ecos da club culture e vincou que estávamos perante uma banda capaz de olhar de frente para grandes questões no foro da identidade e da vida em sociedade. E, sim, foi das que mais se escutou no verão de 1987.

M|A|R|R|S “Pump Up The Volume”
Expressão dos ecos de uma cena nascida na club culture que começava a emergir nos patamares do consumo mainstream, este single que resultou de uma colaboração pontual entre elementos dos Colourbox e AR Kane foi dos primeiros fenómenos de sucesso discográficos da house. Samples, técnicas de corte e colagem usados ao serviço de um tema construído como uma canção. E, caso não se lembrem, foi uma edição da 4AD.

Whitney Houston “I Wanna Dance with Somebody (Who Loves Me)”
Editado em maio como single de apresentação do segundo álbum de Whitney Houston, a canção tornou-se num êxito colossal à escala mundial nos meses do verão de 1987, chegando ao número um em 13 países. Meses depois daria à cantora a vitória em três categorias na gala de entrega dos Grammys. Apenas I Will Always Love You (1992) superaria, na discografia de Whitney Houston, os resultados deste single.

U2 “Where The Streets Have No Name”
Escolhido como terceiro single do álbum de 1987, sucedendo a With Or Without You e I Still Haven’t Found What I’m Looking For, a canção obrigou à criação de um teledisco que, na verdade, representou um feito histórico de produção ao levar a banda ao terraço de um edifício em Los Angeles, sob o olhar de uma multidão (e das forças de segurança), criando imagens que evocam a histórica atuação dos Beatles em janeiro de 1969 no telhado dos seus escritórios em Londres.

Boogie Box High “Jive Talkin’”
Originalmente gravada pelos Bee Gees em 1975, a canção conheceu uma versão em 1987 pelo projeto Boogie Box High, de Andros Georgiou, que era nada mais nada menos do que um primo de George Michael. Este, perante a maquete que lhe foi mostrada, gravou depois vozes em Paris. As suas obrigações contratuais impediram contudo que o seu nome fosse creditado no single. Mas na altura não se falava de outra coisa…

Suzanne Vega “Luka”
Depois de Gypsy, editado ainda em 1986, coube a Luka ser o segundo aperitivo para o álbum Solitude Standing, de Suzanne Vega. Inspirada pela figura de um vizinho, é uma canção vivencial com cenário na Nova Iorque de meados dos anos 80 e, apesar de editada em single em abril, foi durante os meses do verão de 1987 que se transformou num êxito planetário.

Madonna “Who’s That Girl”
Apesar do impacte que teve então (anunciando de resto o terceiro filme protagonizado por Madonna) o tema que dava nome à longa-metragem de James Foley acabou com o tempo por ficar algo esquecido. É uma bela canção pop, que retoma o clima electro de um Into The Groove, cruzando ares com temperos latinos e sugerindo caminhos pop num tempo de transição entre True Blue e Like a Prayer.

Depeche Mode “Never Let Me Down Again”
Depois de um aperitivo lançado ao som de Strangelove foi com Never Let Me Down Again, editado em agosto de 1987, que os Depeche Mode abriram o caminho para o lançamento de Music For The Masses, álbum que surgira semanas depois, já em setembro. Acompanhado por mais um teledisco de Anton Corbijn, o tema ajudou a cimentar o novo estatuto global que a banda estava então a conquistar.

The Smiths “Girlfriend in a Coma”
Editado em agosto de 1987 foi o cartão de visita para o álbum Strangeways Here We Come (o derradeiro álbum da banda) e também o último single que os The Smiths lançaram antes da sua separação. Reza a mitologia pop que foi a inclusão de uma versão de uma canção de Cilla Black no lado B deste single que representou “a última gota” que levou Johnny Marr a sair da banda…

ABC “When Smokey Sings”
O single de apresentação do quarto álbum dos ABC, Alphabet City, revelava logo no título uma vontade de homenagear Smokey Robinson, referência enorme do universo da soul music. A pop dos ABC, desde cedo atenta a genéticas do r&b, acolheu aqui, mais do que nunca essas evidências. O single, e o respetivo teledisco, fez história no verão de 1987.

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5 Comments on Dez canções que se escutaram no verão de 1987

  1. Alexandre Martinho // Agosto 1, 2017 às 1:00 pm // Responder

    Faltam duas canções (1987), mas há UMA que é obrigatória!

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    • qual? cada um terá as suas obrigatórias 😛

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      • Alexandre Martinho // Agosto 3, 2017 às 11:44 pm //

        Pet Shop Boys with (&) Dusty Springfield- “What I Have Done To Deserve This?” (Actually) *
        [www.dailymotion.com/video/x1eywz], no youtube ñ encontrei o “OFFICIAL VIDEO”!!!

        Michael Jackson- “Bad” (Bad)…estreia, deu o videoclip(e) na RTP 1 (a 7 de SETEMBRO, 1987)!

        🙂

        * A minha MÃE, tinha os olhos “iguais” da Dusty Springfield. Uau!!! Saudades.

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  2. Alexandre Martinho // Agosto 3, 2017 às 11:51 pm // Responder

    “What Have I Done To Deserve This?” (até parece que nunca ouviste a música!!!) LOL

    Abraço.

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  3. Escolhi o It’s a Sin, que se ouviu mais no verão de 1987, pelo menos no meu verão… E sim, também gosto muito do dueto com a Dusty Springfield. Mas as listas partem do gosto ou experiências de cada um… É assim 🙂 – N.G.

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