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Uma história dos tempos dos The Clash

Texto: NUNO GALOPIM

Os The Clash servem como marca de tempo e de lugar (e Joe Strummer até mesmo como personagem) num filme de Derrick Borte que toma a música como um universo de referência maior para inscrever uma história de ficção que tem até uma loja de pianos no seu epicentro.

Editado em 1977 o álbum de estreia dos The Clash representou um episódio marcante na afirmação da vitalidade do movimento punk que, depois de primeiros passos desenhados em Nova Iorque, cruzara então o Atlântico para encontrar em Londres um segundo importante epicentro. Ao sentido de urgência da música os The Clash juntavam uma postura politicamente interventiva, levantando debates e ideias num tempo em que o Reino Unido vivia momentos de desencantamento e de convulsão social. Mais do que contar a história dos The Clash ou até mesmo de propor um biopic sobre a figura de Joe Strummer (o seu vocalista), o que o filme London Town de Derrick Borte propõe é uma tentativa de olhar sobre alguns daqueles a quem esta música falou mais alto. E através de uma história de ficção procura assim recriar os sinais dos tempos que uma mão cheia de canções inscreveu na história de finais dos setentas. Não estamos, por isso, nem no mesmo terreno que Anton Corbijn propôs com Control, em volta dos Joy Division.

London Town mergulha no espaço vivencial de um dono de uma velha loja de pianos algures num subúrbio esquecido de Londres e dos seus dois filhos, o mais velho, descobrindo então nas canções dos The Clash um quadro de afinidades que, ao conhecer ocasionalmente o próprio Joe Strummer (interpretado por Jonathan Rhys Meyers), acaba por ligar ecos da história real a uma trama de ficção.

Não é a primeira vez que a cena punk londrina passa pelo grande ecrã. E, de resto, logo em 1978, Derek Jarman criava em Jubilee uma obra de ficção que, pela sua dimensão cultural e política, acabaria por se transformar numa referência maior da cinematografia ligada ao fenómeno. Dois anos depois, em The Great Rock and Roll Swingle, o realizador Julien Temple proporia um outro ponto de vista sobre este mesmo universo, juntando mais tarde aos seus olhares sobre o punk o documentários The Filth and The Fury (2000) sobre os Sex Pistols e Joe Strmmer: The Future Is Unwritten (2007).

Estreado em 2016 no Los Angeles Film Festival, London Town procura dar vida a uma outra forma de abordar cinematograficamente este mesmo espaço. Não corresponde de todo ao modelo proposto por Todd Haynes quando, através de Velvet Goldmine, criou um olhar bem pessoal sobre o universo do glam rock. Mas tal como ali víamos nas memórias de juventude da personagem interpretada por Christian Bale, há em London Town uma vontade em explorar a relação da música com aqueles que compram os discos e fazem das bandas os seus heróis.

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