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O verão algo assombrado de Frankie Rose

Texto: NUNO GALOPIM

Depois de uma pausa em Los Angeles, onde deu por si a escutar os arquivos do programa de rádio do veterano libertário Art Bell, regressou a Brooklyn onde terminou “Cage Tropical” um disco feito de canções desenhadas com a luz do sol de verão, mas que sugerem alguma assombração nas entrelinhas…

Com uma história que a fez passar, como baterista, por bandas como as Vivian Girls, Dum Dum Girls ou Crystal Stills e também já com uns anos de obra gravada a solo, Frankie Rose é um nome a ter em conta na história indie que teve Brooklyn como epicentro depois da viragem do milénio… Recentemente resolveu mudar de vida, rumando à casa da sua família, em Los Angeles, onde embarcou numa viagem para procurar novos caminhos. Mas quando deu por si sem dinheiro nem otimismo, e começou a trabalhar numa roulotte que servia refeições, encontrou entusiasmo a escutar o arquivo das velhas emissões de rádio do veterano Art Bell. Decidiu voltar a focar atenções na música, tentou encontrar parcerias ao seu redor, mas foi a Brooklyn que acabou por regressar para gravar um novo álbum.

Talvez venham de Los Angeles e também dos ecos dos programas invulgares de Art Bell os estímulos que a conduziram aos ambientes que evocam as bandas sonoras dos filmes de John Carpenter ou de um Suspiria (de Dario Argento) que encontramos entre as canções que fazem o alinhamento de Cage Tropical que na verdade não estão assim tão longe de ideias antes abordadas em discos a solo de Frankie Rose, sobretudo Interstellar (de 2012), se bem que agora mais focadas do que nunca nas suas qualidades cénicas e relativamente contidas na escala dos ritmos.

Há entre as novas canções um sentido de luminosidade estival que lança sabores ao jeito de uma dream pop. Mas, ao mesmo tempo os temas são cruzados por um sentido de tensão e assombração que a costela mais shoegazer de Frankie Rose tão bem sabe moldar. É nesse jogo de contrastes que nasce um conjunto de canções que, mesmo não gerando um daqueles álbuns para destacar na história do melhor de 2017, nos trazem alguns momentos de saborosa pop… de verão. Escutem o cativante balanço pop de Dyson Sphere ou os mais frágeis Game to Play e Love in Rockets para imaginar o que seriam uns Cocteau Twins se fossem alimentados com viçosas vitaminas pop. E no instrumental Epic Slap fica claro que o cinema tem aqui alguém a quem pode pedir trabalho…

“Cage Tropical”, de Frankie Rose, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais numa edição da Slumberland Records. ★★★

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