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Como perder uma boa história…

Texto: NUNO GALOPIM

Protagonizado por James Franco e Zachary Quinto, “I am Michael” é um biopic sobre a figura de um ativista pelos direitos LGBT que, depois de um problema clínico, se aproximou de uma igreja, acabando por declarar publicamente não ser mais um homossexual.

Há um tempo que em História se costuma deixar respirar entre o decorrer dos factos e a construção de um discurso que os tente não apenas descrever, mas interpretar. Cinema e história são realidades diferentes e não tem um de usar as éticas e métodos do outro. Mas ao levar ao grande ecrã uma história que nem dez anos de vida tem sobre o sucedido a capacidade de refletir sobre as personagens e contextos não é certamente a mesma que existe quando algum tempo mais nos separa da realidade sobre a qual se quer fazer ficção. Mas este não é o único problema de I Am Michael. E a tentativa de biopic da figura de um ativista pelos direitos LGBT que, depois de um problema clínico, se aproximou de uma igreja, acabando por declarar publicamente não ser mais um homossexual, daria certamente muitas mais possibilidades a um filme que a magra soma de ideias escritas e realizadas por Justin Kelly mostrou primeiro em Sundance e, depios em Berlim. Em 2015…

Inspirado pelo artigo de Benoit Danizet-Lewis “My ex-Gay Friend” publicado na New York Times Magazine, o filme conta com James Franco como protagonista (vestindo a pele de Michael Glatze) e Zachary Quinto como Bennett, o seu antigo namorado, que conhecera quando ambos trabalhavam na revista XY Magazine. O filme não é senão uma sucessão de sequências, cada qual antecedida por um ecrã a negro onde se lê o local e ano do que sucede logo depois, mais ao jeito de uma reconstituição para docudrama televisivo que para o que se espera ver num ecrã de cinema. E, de resto, um pensamento sobre cinema ali não parece existir. Ou se existe não dei por ele.

O Meu Nome é Michael (I Am Michael no original) arruma sequencialmente os acontecimentos, da vida ativista de outrora em San Francisco partindo para Halifax, onde Bennett é chamado para um novo trabalho, pelo meio juntando o estudante de física Tyler (Charlie Carver) que não só terá um relacionamento com o casal como um papel na criação de uma nova revista dedicada aos jovens gays americanos. Uma situação clínica desperta em Michael uma fé a que nunca se ligara até então. Progressivamante aproxima-se da igreja, renuncia a homossexualidade (apesar de “tentações” num retiro) e procura uma nova vida, usando por vezes um discurso nos antípodas do que outrora praticara.

Convenhamos que a figura de Michael Glatze, e todas as suas contradições, é interessante ponto de partida para uma qualquer reflexão ou mesmo filme. Mas não só talvez seja demasiado cedo para o fazer. Como o argumento, realização e soluções encontradas em O Meu Nome é Michael em nada servem a dimensão maior que uma personagem como esta poderia suscitar.

“O Meu Nome é Michael”, de Justin Kelly, com James Franco, Zachary Quinto, Emma Roberts e Charlie Carver, estreia esta semana nos ecrãs portugueses.

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