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“Hit’N’Run – Phase One” – Uma visão pop para o século XXI

Texto: NUNO GALOPIM

Um ano depois do piscar de olho a heranças do passado em “The Art Official Age” Prince apresentou no seu álbum de 2015 uma investida inesperada pelos domínios da linguagem da pop contemporânea. E inclui uma pérola que devia ter chegado a single…

O reencontro com o catálogo da Warner em 2014 fez-se com dois discos, embora coubesse claramente a The Art Official Age o desafio de comunicar um desejo de reativação de um relacionamento mais próximo de Prince com uma mais vasta plateia de seguidores. O estabelecimento de pontes entre o presente e ecos de memórias dos oitentas – indiscutivelmente a etapa mais inspirada e consequente da sua obra – cativou atenções e abriu possibilidades que, mais do que no álbum com as 3rdEyeGirl, aprofundou no passo seguinte. O modo como optou como solução gráfica para a capa do disco uma variação cartoonesca da fotografia usada no álbum de 2014 deixava logo evidente essa ligação… Mas ao chamar-lhe Hit’N’Run Phase One o jogo de possibilidades futuras ficava, como surpresa, guardado nas suas mãos. Para onde nos levaria a seguir?

Mas foquemo-nos em 2015. Editado no início de setembro de 2015 como exclusivo para streaming no Tidal uma semana antes do lançamento em suporte físico, Hit’N’Run Phase One deixa logo evidente nos primeiros instantes que havia ali um desejo em encontrar raiz genética nos momentos em que a eletrónica chegou e arrebatou a música de Prince. Ao samplar momentos de si mesmo captados nos tempos de 1999 e Purple Rain o disco encontra nesse passado um ponto de partida. Mas basta avançar uns instantes para sentir que, mais do que uma viagem nostálgica, Hit’N’Run Phase One apresenta afinal a mais ousada e desafiante investida de Prince por linguagens da canção pop e da eletrónica do século XXI. E fá-lo como quem deixa claro que aquele pode ser também um espaço seu.

Mesmo não se fechando numa identidade pop contemporânea – com algumas ligações aos terrenos EDM que nem todos pareceram digerir bem – Hit’N’Run Phase One revelou um momento de prazer pop como há muitos anos não se escutava com esta amplitude no alinhamento num álbum de Prince. Pode argumentar-se que não foi extraído de Hit’N’Run Phase One um single do calibre dos que fazem o “cânone” de Prince, e talvez nem mesmo como os mais recentes Musicology (de 2004) ou Black Sweat (de 2006)… Mas o problema aí não será de falta de matéria prima mas antes da política de opções editoriais tomadas. Like a Mack, onde colabora vocalmente Curly Fryz, é uma pequena pérola de pop talhada com eletrónicas, aromas r&b e um potencial sedutor que ficou por explorar.

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