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Xinobi, se não for indiscrição

Texto: GONÇALO COTA

O Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém encheu para um concerto que não deixou ninguém sentado ao som da música de Xinobi que teve por ponto de partida o álbum “On the Quiet” e chamou a palco uma multidão de amigos.

É na eletrónica fresca e elegante, perfumada em momentos por essências pop e referências rock, que Xinobi melhor explora as vivências de quem se consagrou como um dos maiores nomes do deejaying português, num concerto incluído na programação do Centro Cultural de Belém.
Talvez o nome Bruno Cardoso não ressoe tanto na cabeça quando falamos da música eletrónica que se faz por cá, mas se o reescrevermos como Xinobi – sinónimos, claro, o mesmo miúdo que fez emergir no velhinho MySpace uma identidade eletrónica – tomamos consciência de que assim o é: On The Quiet, lançado em março deste ano, é elegante, eclético e leve; ganha, ao vivo, o encantamento rock de juventude, na descoberta dos sons dos Nirvana ou das experiências vividas com os Vicious 5, aos quais pertenceu, garage rock portanto, e juntando o spoken word que edifica, assim, visões, de certa forma, políticas.

No início, era em francês que se cantava o verbo: Deriville, última música de On The Quiet, rompe a paisagem eletrónica e tropical que se espera de um concerto de Xinobi. Pediu-nos, logo após a primeira primeiro música, que dançássemos a sua house, delicada e orgânica, onde coexistem sensações doces e festivas com experiências autobiográficas de quem “nasceu em Coimbra, mas nunca lá morou. Graças a Deus!”. Mas de divindade só o aspeto etéreo, que combinado com perspetivas dançáveis e eletrizantes, abraça as vozes convidadas para povoar o palco do Pequeno Auditório e recriar profundidades distintas das ouvidas em disco: a de Sequin, que cantou grande parte das canções, dimensiona uma volúpia e feminilidade às canções; a de Mike El Nite, que povoa num registo quase erótico, as suas rimas.

Margarida Falcão, Golden Slumbers e Vaarwell, é a voz do single Far Away Place: o timbre rústico e folk habita um instrumental pintado em tons de verão e de mar. Se nas músicas com Paulo Furtado dos Tédio Boys, agora The Legendary Tigerman, a eletrónica é mais esbatida e menos interessante é com o amigo Moullinex, com quem há dez anos criou a produtora Discotexas, que uma versão com arranjos distinto daquelas que ouvimos, mais magistral e frenética, pessoalmente catártico, de Darkest Night se torna o momento da noite.

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