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“Hit’N’Run – Phase Two”: Uma nota de despedida (que não era para o ser)

Texto: NUNO GALOPIM

Lançado para ‘streaming’ em finais de 2015, só em 2016 teve edição em suporte físico o belíssimo “HitNRun Phase Two”, que fica registado na discografia de Prince como o último disco que lançou em vida.

Em 2013, quando se fez notícia o reatar do relacionamento com a Warner de quem se havia “emancipado” nos anos 90, Prince dava sinais de um novo surto de criatividade que se tinha já manifestado em títulos menos visíveis como 20Ten ou Lotusflo3er. Mais do que na parceria com as 3rdeyegirl em Plectumelectrum, foi em The Art Official Age, o outro álbum editado nesse mesmo momento, que reencontrávamos um Prince com maior fulgor criativo, capaz de reativar ecos de memórias de si mesmo e, ao mesmo tempo, projetar essas formas e referências em novos contextos.

Essa verve reencontrada voltou a manifestar-se nos dois capítulos seguintes, ambos lançados sob o título Hit’N’Run. O primeiro, ensaiando flirts com as novas electrónicas, chocou com o ceticismo de muitos (eu gostei, e muito). O segundo, originalmente lançado para streaming via Tidal em dezembro de 2015, acabou de ter edição física em CD em territórios do mundo inteiro só em maio de 2016. E convenhamos que Hit’N’Run Phase Two encerrou, como nenhum dos seus discos tardios, um ciclo que traduz uma das mais notáveis, versáteis e pessoais das discografias do nosso tempo.

Se o álbum anterior (Phase One) tinha aberto diálogos entre a raiz funk e as periferias da pop (sempre muito presentes em Prince) com as electrónicas, neste Phase Two são os metais quem mais ordena, num conjunto de canções que juntam os NPG Horns e os Hornheads em momentos de verdadeira celebração às heranças do som das big bands e da tradição do uso dos metais nas derivações várias dos universos do rhythm and blues, com momento maior no contagiante Rocknroll Loveaffair.

O alinhamento do álbum é todavia mais versátil do que o do outro título deste díptico, ora deixando entrar em cena uma certa verve jazzística (que na verdade nunca foi estranha a Prince), ora evocando um a mestria nos diálogos com as formas pop/rock em Screwdriver numa versão diferente da lançada em single em 2013), sem esquecer relações primordiais com o funk (como em 2Y. 2D. ou Stare) ou o R&B (Look at Me, Look at U). Cabe contudo a Baltimore (em parceria com Eryn Allen Kane), que abre o alinhamento, o momento mais relevante de todo o disco, numa das canções mais claramente políticas da obra de Prince, revisitando em concreto acontecimentos de violência que fizeram a notícia.

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