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Pop… mas à sua maneira

Texto: NUNO GALOPIM

“Masseduction”, que é o sucessor do álbum ao qual deu o seu próprio nome editado há três anos, transporta as marcas de identidade autoral de St. Vincent para um espaço pop… Mas numa região demarcada pela sua personalidade.

Há, em muitas ocasiões, dois tipos de momentos em que vemos os músicos a dar aos discos o seu próprio nome. A mais frequente corresponde ao lançamento de um álbum de estreia. Mas não é invulgar vermos o mesmo suceder quando há um desejo de recomeço expresso no disco em questão. E em 2014, ao chamar ao quarto álbum de estúdio o seu nome próprio, St. Vincent, a norte-americana Annie Clarke sugeriu-nos assim que havia ali um renascimento para termos em conta. Algo de novo começava ali a ganhar forma…

Aos 35 anos, esta natural de Tulsa (no Okhlahoma) tem um currículo já extenso. Depois de ter feito teatro e tocado na banda de jazz da escola secundária e de ter mais tarde frequentado o Berklee College of Music, integrou os Polyphonic Spree, colaborou com a orquestra de 100 guitarras de Glenn Branca e juntou-se aos músicos que acompanharam Sufjan Stevens na sua digressão de 2006. Só por essa altura decidiu avançar com um projeto em nome próprio ao qual chamou St. Vincent, nome inspirado pelo Saint Vincent’s Catholic Medical Center, o hospital em Manhattan onde o poeta Dylan Thomas morreu em 1953. Tinha já editado, entre amigos, um EP como Annie Clark em 2003 (chamou-lhe Ratsliveonnoevilstar e gravou-o ainda nos tempos em que estudava no Berklee College of Music, tendo então contado com a colaboração dos seus colegas). Como St. Vincent estreou-se com um outro EP em 2006 (Paris is Burning), ao qual fez seguir os progressivamente mais aclamados álbuns Marry Me (2007), Actor (2009), Strange Mercy (2011),Love This Giant (de 2012, criado em parceria com David Byrne) e, há três anos, o tal disco a que deu o seu nome.

Masseduction é, agora, o sucessor desse episódio de recomeço que lhe valeu mais clara aclamação e reconhecimento popular do que o ocorrido anteriormente. E convenhamos que não só soube agora dar provas de evolução na continuidade como se desafiou a ensaiar algo diferente… E pop pode ser a palavra-chave deste novo episódio de uma carreira que parece pouco interessada em explorar modelos de repetição sobre si mesma.

Se em St. Vincent, sem abdicar das marcas de personalidade que antes já nela conhecíamos, aprofundou a exploração de uma demanda autoral juntando novos ingredientes (nomeadamente as eletrónicas), no novo disco leva esse processo ainda mais longe, assimilando e integrando esses elementos numa forma de entender uma noção do que é a canção pop muito à sua maneira. Ou seja, angulosa, intensa, complexa nas formas, pessoal nas palavras, por vezes desconcertante, noutras profundamente frontal (como quando canta, no tema título, que ). Se é desta vez que fala de facto de si mesma ou, antes, se tem nas canções expressões de ficção, é coisa que um dia talvez venha a ter mais resposta. Para já há em Masseduction mais um magnífico conjunto de canções pop, que reforçam a caracterização da região demarcada da pop à la St. Vincent.

“Masseduction”, de St. Vincent, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais numa edição da Caroline International ★★★★

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