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Realismo… pintado a óleo

Texto: NUNO GALOPIM

As cartas do irmão do pintor e uma técnica de animação que envolve pinturas a óleo (feitas à mão) são argumentos a ter em conta em “A Paixão de Van Gogh”, que está já em exibição entre nós.

O nome de Vincent Van Gogh já passou diversas vezes pelo grande ecrã. Desde A Vida Apaixonada de Vincent Van Gogh (1956) de Vincente Minnelli a Vincent & Theo (1990) de Robert Altman, a relação do cinema com o pintor tem já episódios significativos aos quais podemos juntar também os que vão nascendo para televisão como foi o caso de Van Gogh: Painted With Words, de Andrew Hutton, no qual a figura do pintor foi recriada pelo ator Benedict Cumberbatch. Mas eis senão quando chega aos cinema algo… completamente diferente. Trata-se de um filme que usa uma técnica de animação que parte de um trabalho inicial feito com atores (e até aqui nada de novo), mas que depois transforma cada frame numa pintura a óleo…

A Paixão de Van Gogh, no original Loving Vincent, é uma coprodução polaca e britânica com realização de Dorota Kobiela e Hugh Welshman e que junta mais de 65.000 imagens pintadas à mão por 125 artistas. Se no plano das imagens somos confrontados não apenas com traços, formas e cores que associamos diretamente ao período tardio da obra de Van Gogh, por outro somos inclusivamente surpreendidos com a presença de representações de figuras e espaços que conhecemos de alguns dos seus mais célebres quadros… E não deixa de ser curioso usar estas imagens para refletir sobre a noção de “realismo”…

No plano narrativo a proposta é igualmente desafiante, colocando-nos (com base nas cartas do irmão do pintor) num presente que decorre depois da morte do pintor e no qual o filho do seu carteiro visita o lugar que acolheu os seus últimos dias, procurando, entre conversas com figuras reais (que habitaram aqueles dias de Van Gogh), compreender, afinal, qual foi a verdade em torno da sua morte.

A proposta é assim plástica e tematicamente estimulante. Pena que, na sede de tanto debater e contar, os realizadores se tenham esquecido apenas de uma outra verdade que há muito associamos à nossa relação com a obra de Van Gogh: o tempo. É que tanto ali se fala que poucos silêncios nos restam para podermos contemplar as belas imagens que fazem o filme… Opções…

“A Paixão de Van Gogh”, de Dorota Kobiela e Hugh Welshman, está em exibição entre nós.

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