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Beck… agora a cores

Texto: NUNO GALOPIM

Depois dos tons melancólicos do álbum de 2014 “Morning Phase” o novo disco de Beck volta-se para terrenos mais pop. Está longe de ser um dos seus melhores álbuns mas inclui uma mão-cheia de canções irresistíveis. Bons singles, portanto…

Apesar de ocasionalmente ir regressando a terrenos por onde antes já caminhara, tal como sucedeu quando, em 2014, retomou em Morning Phase percursos por uma região musical e emocional que antes experimentara no igualmente arrebatador Sea Change (de 2002), Beck é hoje, a meses de celebrar 25 anos de carreira em disco, um autor de uma obra invulgarmente variada e muito frequentemente habitada por álbuns e singles absolutamente marcantes. E, apesar dos muitos trilhos pelos quais têm nascido as suas canções (e também as versões), na verdade não deixa de ser uma figura essencialmente focada no espaço que podemos entender como a medula da cultura pop/rock. É certo que em tempos foi um dos mais viçosos ensaístas dos relacionamentos possíveis entre a canção pop e espaços com afinidade com a cultura hip hop, mas das heranças do psicadelismo a interesses pelo funk, isto para não falar nas visões de melancolia orquestral dos dois álbuns acima evocados, são na verdade bem vastos horizontes. Trazer-nos, três anos depois de Morning Phase, um álbum mais… pop, não será de todo uma bizarria. Antes, pelo contrário, um reencontro com pistas que fazem já parte do seu percurso.

Colours começou a ganhar forma em singles que começou a editar, avulso, em 2015. A coisa começou bem, com as “cores” mais brilhantes de Dreams e, depois, com Wow, canção que piscava o olho a formas características da sua identidade nos noventas. Mais adiante Dear Life estabelecia outra ponte com referências mais clássicas americanas (bem familiares à sua obra) que assentam que nem uma luva à sua escrita e voz… Álbum mais pop e luminoso, colorido, pois, Colours não tem contudo um alinhamento ao nível deste trio de canções que lhe serviu de ponto de partida, só juntando uma peça de igual calibre em I’m So Free (que teria dado melhor escolha para single do que o mais recente Up All Night)… Há canções más no resto do alinhamento? Nem por isso, apenas menos surpreendentes. Na verdade, fazendo as contas, é assim que se apresentam tantos outros discos habitados por uns dois ou três singles que chamam atenções, com outras mais em regime verbo-de-encher para completar alinhamento. Está longe por isso de ser um disco de calibre maior como o foram Odelayions ou Midnite Vultures. Talvez não esteja tão bem recheado como se mostraram álbuns menos marcantes como Guero ou The Information. Mas não é de tudo um tropeção. Depois de um monumental Morning Phase talvez saiba a pouco… Mas a verdade é que junta mais uma série de grandes canções (e boas cores) a uma obra que é das mais apetitosas da sua geração.

“Colors”, de Beck, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais, numa edição da Virgin ★★★

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