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Uma espécie de azul… algures no magrebe

Foto: Marco Borggreve

Nascido em Tunis em 1957 Anouar Brahem tem uma discografia que desde 1991 o coloca entre os nomes de referência do catálogo da ECM. Entre títulos maiores da sua obra como, por exemplo, The Astounding Eyes of Rita (magnífico disco de 2009) ou o mais recente Souvenance (de 2015) este mestre tunisino, tocador de oud, encontrou a definição de um espaço de diálogo entre ecos da cultura magrebina e as presenças criativamente estimulantes do jazz e da música orquestral. Por ali ia diluindo fronteiras e esbatendo o que poderiam ser contrastes vincados para criar um conjunto de peças onde a melancolia ditava o mote, o calor sugeria os cenários e a placidez das notas e sonoridades em diálogo falavam de um mundo maior, sempre feito de diálogos. Agora, para aquele que é o passo seguinte face a esse par de discos, eis que aceita um outro desafio, uma vez mais na forma de diálogo, mas desta vez na forma de um encontro com três figuras maiores do universo da música improvisada.

Gravado em Nova Iorque já este ano, Blue Maqams junta a Anouar Brahem e ao seu oud (que desde logo vinca marcas de identidade suas e da cultura na qual nasceu) a presença do contrabaixista Dave Holland, do baterista Jack DeJohnette e do pianista britânico Django Bates. No fundo, e tal como acontecera nos discos nos quais encontrara parcerias com orquestras e músicos mais próximos da tradição clássica da música ocidental, Anouar Brahem volta a deixar claro neste novo disco como entende a sua obra como um espaço avesso às noções de barreiras, sejam elas de natureza estética (ou seja, de “género” musical) ou de geografia. A sugestão do que é magrebino e do que é nova iorquino perde-se no todo que emerge com cores e sugestões que, sem renegar as suas heranças, procuram antes um outro patamar de vivência na qual a arte do diálogo sobressai numa espécie de “kind of blue”… muito à sua maneira.

Não é a primeira vez que Anouar Brahem trabalha com músicos ligados aos universos da improvisação. Cruzou-se com vários músicos de jazz nos anos 80, começando a surgir os resultados de alguns desses encontros em discos lançados já nos noventas tais como Madar (de 1992) no qual colaboraram o saxofonista Jan Garbarek e Shaukat Hussain (tablas) ou Thimar (1997) com Dave Holland (naquele que foi o seu primeiro encontro com o contrabaixista) e John Surman. O novo Blue Maqams é ponto de partida para um percurso que não se esgota em disco já que este quarteto estará na estrada em 2018, havendo já uma data marcada para a Gulbenkian, em Lisboa, a 16 de abril.

“Blue Maqams”, de Anouar Brahem, com Dave Holland, Jack DeJohnette e Django Bates, está disponível em LP e CD numa edição da ECM Records.

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