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Uma autobiografia… em disco

Texto: NUNO GALOPIM

“1989” é já o terceiro volume que o músico e DJ Rune Kölsch edita pela Kompakt Records, juntando mais um episódio a uma história de vida que nos conta com eletrónicas e a ajuda de instrumentos de uma orquestra.

São já três os volumes da “autobiografia” em forma de disco que o músico e DJ Rune Kölsch (assina apenas Kölsch) tem vindo a apresentar desde que, em 2013, abriu a série com 1977, referindo-se o título ao ano do seu nascimento. Depois de um segundo capítulo em 2015 com 1983 eis que mantém o ritmo e a ideia firmes ao juntar agora 1989 a esta história em construção, sendo que este é, até à data, o mais sólido e bem construído desta coleção de discos. Com origens familiares tanto na Irlanda como na Alemanha e vivendo na Dinamarca (cresceu numa comunidade hippie em Copenhaga), tem entre estas heranças e as suas vivências os pontos de partida para as experiências sonoras que sugere disco a disco, usando as eletrónicas como ferramenta de trabalho mas mostrando um claro interesse em juntar instrumentos habitualmente associados à música orquestral, estabelecendo assim pontes entre vários universos.

Mais ainda do que nos dois volumes anteriores em 1989 Kölsch alarga a paleta dos espaços visitados pelas eletrónicas – que vão do tecno minimal a verdadeiros instantes hard floor – para evocar um tempo de emoções fortes que correspondem à chegada à adolescência e a um período de tensão familiar que culminou com a separação dos pais. Marcas de diferença e identidade chegam depois no piscar de olho à canção pop em In Bottles (com Aurora) ou às heranças de um Jean Michel Jarre (em Push) e, mais ainda, no retomar da colaboração com Gregor Schwellenbach, que volta a assinar os arranjos de cordas que são aqui interpretados pela Hertiage Orchestra, em registos que ora se aproximam mais das experiências orquestrais de um Craig Armstrong (em Liath) ou da mais profunda diluição de presenças entre eletrónicas e cordas de uma Anna Meredith (em Grey). Todavia a mais presente das “familiaridades” sugere uma proximidade com os caminhos que Pantha du Prince desenhava nos tempos de This Bliss (álbum magnífico de 2007, editado também pela mesma Kompakt Records). Uma biografia para ouvir tanto de olhos fechados como em movimento, a dançar.

“1989” de Kölsch, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais em edição da Kompakt Records. ★★★

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