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Fuga sem fim

Texto: NUNO GALOPIM

Premiado este ano com o Pulitzer na área da ficção, o romance de Colson Whitehead “A Estrada Subterrânea” transporta-nos a um violento embate com memórias dos tempos da escravatura.

A expressão já existia e tem um valor histórico. O “underground railroad” não era contudo nem subterrâneo nem necessariamente envolvia uma via férrea. Era, de forma figurada (através dessa designação) uma linha de fuga, uma rede de caminhos através dos quais escravos tentavam escapar de plantações nos estados do sul e rumar ao lugares mais a norte no qual a liberdade e outro sentido de humanidade pudesse habitar os seus dias.

É dessa expressão, e de uma história de fuga, que o escritor Colson Whitehead partiu para a escrita de um romance que lhe valeu já a conquista do Prémio Pulitzer para Ficção deste ano e que está destinado a conhecer uma adaptação ao pequeno ecrã (no formato de uma minissérie) tendo ao leme Barry Jenkins, o mesmo autor do brilhante Moonlight.

A Estrada Subterrânea acompanha a figura de Cora, escrava que, acompanhada, foge de uma plantação de algodão na Georgia. O livro não se esgota contudo na trama feita de medo e tensão que Cora enfrente nas várias paragens pelas quais literalmente passa e pelo constante sentimento de insegurança com que vive cada dia, já que traduz de forma bem violenta os maus tratos, as punições, as vendas e separações, que faziam com que, mesmo residindo nas mesmas propriedades, ali houvesse habitantes de mundos distintos.

“A Estrdada Subterrânea”, de Colson Whitehead, é uma edição de 384 páginas pela Alfaguara

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