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Pop ‘gourmet’? É isto…

Texto: NUNO GALOPIM

O segundo álbum dos Talk Talk, editado em 1984, regressa aos escaparates das novidades numa reedição em vinil. Em “It’s My Life” encontramos ainda sinais de proximidade com as suas raízes new wave, mas moldadas com um outro aprumo mais elegante.

Valeu aos Talk Talk o sucesso moderado dos singles Today e Talk Talk e a visibilidade alcançada pelo álbum de estreia The Party’s Over (editado em 1982) para que muitos neles vissem mais do que um caso de entusiasmo fugaz entre os muitos que na alvorada dos oitentas viviam os seus 15 minutos de fama. É porém com o passo seguinte que o que parecia ser apenas mais uma banda (com um vocalista de personalidade desde logo bem vincada) se transforma num dos mais interessantes fenómenos pop do seu tempo, mal adivinhando tudo e todos que pela frente seriam capazes de nos surpreender a cada novo disco através de uma rara (mas bem sucedida) capacidade de metamorfose.

Em 1984 os Talk Talk não estão ainda muito afastados do terreno new wave que os vira nascer. Já havia, contudo, mudanças significativas face ao que antes acontecera… Depois de terem convocado um antigo colaborador dos Roxy Music, Rhett Davies, para produzir o single My Foolish Friend (editado entre álbuns), e de terem ficado reduzidos a um trio, chamam para as sessões de trabalho o produtor Tim Friese-Greene que antes tinha já trabalhado com Thomas Dolby e que, daí em diante asseguraria também o lugar de teclista da banda, mesmo nunca surgindo em concertos nem integrando a sua formação.

It’s My Life, o álbum que editam em 1984 é um exemplo de franca evolução na continuidade face ao que haviam gravado antes. Sem procurar uma rutura (essa seria mais evidente no álbum seguinte), mantém por um lado uma relação com a canção pop mais luminosa (de que são bons exemplos Dum Dum Girl ou o tema-título), mas ensaiam não apenas uma escrita (e cenografia) emocionalmente mais intensa (como se escuta no magnífico Such a Shame, a pérola maior do alinhamento) e descobrem um outro relacionamento com instrumentos mais convencionais que, ainda sob o protagonismo dos sintetizadores, gera instantes de evidente busca de novos caminhos como se escuta em Rene ou Tomorrow Started.

Tanto podemos entender It’s My Life como um disco de transição (encetando um processo que os conduziria no disco seguinte a uma relação mais profunda com elementos primordiais do som pop mais clássico) ou como o encerrar de uma etapa de nascimento e desenvolvimento de uma primeira voz em terreno próximo do que então definia o mainstream pop/rock britânico herdado da new wave.

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