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E eis que Lindstrøm tem, finalmente, um grande álbum a solo

Texto: NUNO GALOPIM

Apesar de ter já editado três álbuns a solo, só com o novo “It’s Alright Between Us As It Is” o norueguês Hans-Peter Lindstrøm encontrou um digno sucessor da soma de ideias e visões que em 2006 reunira em “It’s a Feedelity Affair”, compilação que juntava alfugns dos seus máxis mais marcantes.

Foi há já alguns anos que o seu nome andava nas bocas daqueles que seguem mais de perto os acontecimentos nas áreas das eletrónicas que gostam de pôr os músculos a dançar. Foi por alturas das suas colaborações com Prins Thomas e de uma sucessão de máxis, alguns deles reunidos depois no álbum It’s a Feedelity Affair (2006), compilação que justificadamente se afirmou então como edição de referência na obra do produtor norueguês Hans-Peter Hans-Peter Lindstrøm. Na verdade só depois começou a experimentar o formato do álbum, estreando-se em 2008 com Where You Go I Go Too, disco no qual explorou a possibilidade de apresentar composições mais longas. Houve mais colaborações pelo caminho. Mas, a solo, continuou as experiências sobre o formato de álbum no mais inesperado, mas algo menos bem focado, Six Cups of Rebel (2012), apresentando depois em Smalhans (também em 2012) um delicioso manifesto retro de sabor electro. Ou seja, apesar das experiências, nunca um álbum de Lindstrøm fora capaz de, até aqui, traduzir o universo de visões que a sua música vai cruzando e definindo nas edições que lança no formato de máxi-single e nas colaborações que continua a assinar junto de outros. Até que, agora, nos chega It’s Alright Between Us As It Is, finalmente um álbum ao nível do que é a sua obra a 45 rotações. E, assim, de certa forma, o verdadeiro sucessor do que nos mostrava a compilação It’s a Feedelity Affair, já lá vão onze anos…

Na verdade It’s Alright Between Us As It Is quase parece uma compilação, já que as faixas alinhadas sugerem um belo mapa de ideias que têm a identidade de Lindstrøm como produtor e a sua versatilidade enquanto compositor como narrativa que suporta o conjunto. É claro que há aqui expressões dos universos do space disco (que lhe é tão caro) e expressões de paixões pelas heranças da pop eletrónica, mas pelo alinhamento (magnificamente estruturado) há incursões por terrenos ambient mais paisagísticos, assim como piscares de olho a filigranas de acontecimentos mais próximos do tecno minimal… Há momentos vocais que chamam as presenças de Frida Sundemo, Grace Hall ou Jenny Hval, figuras que acentuam por um lado os jogos de contrastes mas, ao mesmo tempo, acentuam a unidade na diversidade que faz a alma do álbum no qual, finalmente, Lindstrøm parece ter dominado o desafio de criar um corpo de maior fôlego. Ou seja, um disco de longa duração.

“It’s Alright Between Us As It Is”, de Lindstrom, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais numa edição da Smalltown Supersound. ★★★★

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